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Diabetes mellitus: desafio global que demanda pesquisa e inovação para um futuro mais saudável

Atualizado em 3 de julho de 2024 às 8:42 AM

Munyra Rocha Silva Assunção1, Monise de Paiva Galante Gregorini2, Nydie Gervais3,
Simone Albino da Silva4, Isabelle Cristinne Pinto Costa5, Eliza Maria Rezende Dázio6,
Silvana Maria Coelho Leite Fava7

O diabetes mellitus é uma condição crônica de saúde caracterizada pela presença de hiperglicemia permanente. É considerado um dos mais importantes problemas de saúde pública, em decorrência de suas elevadas taxas de prevalência, do impacto na saúde das pessoas e da sobrecarga no sistema público de saúde. 

O panorama global do diabetes é alarmante. Estima-se que até 2045, 783 milhões de adultos estarão com essa condição crônica. O Brasil, com 16,8 milhões de adultos com diabetes, está entre os países com o maior número de casos. Projeta-se que o custo global com o tratamento atingirá 1,05 trilhões de dólares até 2045.

Assinala-se que o controle inadequado do diabetes pode levar a complicações graves e incapacidades, decorrentes de alterações microvasculares e macrovasculares como doenças renais, retinopatia, infarto agudo do miocárdio (IAM), doença vascular periférica, sendo esta, causa frequente de lesões. Adicionalmente, estima-se que 50% a 70% das amputações não traumáticas são decorrentes das lesões em membros inferiores de pessoas com diabetes mellitus.

Diante dessa realidade e comprometidas com as condições de vida e de saúde da população e alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização Mundial de Saúde (OMS), pesquisadoras da Universidade Federal de Alfenas têm priorizado a temática diabetes mellitus nas ações de ensino, pesquisa e extensão. Na extensão, por meio do Projeto DIPER e do Programa Condições crônicas: cuidados inovadores, tem promovido ações de educação e de cuidado para promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, numa interação dialógica, fortalecendo o protagonismo da sociedade, e constituído uma oportunidade ímpar para a conformação de competências dos enfermeiros para a atuação segura no cuidado às pessoas com diabetes mellitus. Na pesquisa, o Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGENF) tem se destacado como um centro de pesquisa e inovação, com foco no desenvolvimento de estudos fundamentados nas melhores evidências, com vistas a contribuir para a construção de um futuro mais saudável para a sociedade. Assim, estão sendo conduzidos estudos relevantes que contemplam diferentes dimensões, com a finalidade de dar respostas aos desafios decorrentes do diabetes mellitus. Na dimensão técnico-assistencial, as pesquisas exploram as melhores práticas de cuidado para as pessoas com diabetes, com vistas a melhoria do cuidado clínico, a educação em saúde e o manejo da doença. Na dimensão político-organizacional, investiga-se as políticas públicas de saúde e os sistemas de saúde com o objetivo de entender e de aprimorar o acesso ao tratamento, a organização dos serviços de saúde e a gestão de recursos para o controle da doença.

Os resultados de uma dissertação desenvolvida em um município do Sul de Minas Gerais com o objetivo de avaliar o grau de implantação das ações desenvolvidas pela atenção primária à saúde (APS) para a assistência às pessoas com diabetes mellitus, revelaram que a assistência foi insatisfatória com fragilidades na organização do sistema de saúde (dimensão político-organizacional) e na qualidade do cuidado oferecido (dimensão técnico-assistencial). Os autores recomendaram a necessidade de investimentos em capacitação profissional, infraestrutura adequada, protocolos assistenciais, integração com outros serviços de saúde, monitoramento e avaliação, trabalho em equipe, mapeamento das pessoas com diabetes, planos de tratamento individualizados e ações de educação em saúde.

Mediante as lacunas identificadas, encontra-se em desenvolvimento uma tese com o objetivo de construir, de forma coletiva com os enfermeiros da APS de um município do Sul do estado de Minas Gerais, um protocolo de consulta de enfermagem às pessoas com diabetes, por meio do método da Pesquisa Convergente Assistencial. Este método caracteriza-se pela propriedade de fazer a convergência de ações de pesquisa e de assistência à saúde para atender às necessidades dos profissionais e fortalecer as práticas de cuidado às pessoas com diabetes.

Nesta linha de interesse, encontra-se em fase de conclusão uma dissertação de abordagem quase experimental, com a finalidade de analisar o conhecimento dos enfermeiros de 12 municípios do estado de São Paulo, em momentos pré e pós-intervenção de  um curso de capacitação criado por um grupo de pesquisadores da UNIFAL-MG, UNIFEG, UFRJ e UFSE, de natureza híbrida,  por meio de encontros presenciais na cidade de Casa Branca-SP e apoiado no ambiente virtual de aprendizagem pela plataforma Moodle Comunidade sobre a prevenção e o cuidado com o pé de pessoa com diabetes e analisar as percepções dos enfermeiros sobre os desafios para a implementação das medidas preventivas e assistenciais no seu processo de trabalho.

Os dados preliminares revelaram que 88,9% dos enfermeiros realizam a consulta de enfermagem às pessoas com diabetes, entretanto, 36,1% dispõem de protocolo ou de roteiro para a consulta. Em relação ao conhecimento do padrão ouro para a avaliação da perda da sensibilidade protetora, 80,6% conhecem o monofilamento de 10g e 36,1% conhecem o diapasão 128 Hz. Os dados preliminares apontam para a relevância da educação permanente em serviço no processo de trabalho do enfermeiro e o potencial da pesquisa para a translação do conhecimento e para a práxis do enfermeiro.

O interesse das pesquisadoras não se limita à saúde da população brasileira, mas também de países com altas taxas de prevalência do diabetes mellitus são elevadas.  Uma discente do Haiti, por meio do convênio internacional, está desenvolvendo uma dissertação com o objetivo de construir um material educativo para incentivar as pessoas com diabetes mellitus da América Central a adesão ao tratamento.

A responsabilidade social da Universidade é fundamental para o alcance das metas dos ODSl no controle do diabetes mellitus. Ao educar, pesquisar, implementar ações de educação e de cuidado e promover a sustentabilidade, a Universidade contribui significativamente para a promoção à saúde, prevenção, tratamento, reabilitação. Esses esforços contribuem significativamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, ao mesmo tempo em que fortalecem a capacidade de resposta dos sistemas de saúde. A Universidade Federal de Alfenas exemplifica esse compromisso por meio de projetos inovadores e pesquisas baseadas em evidências, que não apenas capacitam profissionais de saúde, mas também empoderam a sociedade na gestão do diabetes. As iniciativas desenvolvidas tanto no âmbito local quanto internacional refletem uma dedicação incansável à excelência no cuidado à saúde, alinhada aos ODS. Assim, a Universidade não só promove um futuro mais saudável e sustentável, mas também lidera pelo exemplo, inspirando outras instituições a contribuir para o controle efetivo do diabetes mellitus em escala global.


 

Munyra Rocha Silva Assunção é enfermeira, mestre e doutoranda em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UNIFAL-MG. Integrante dos grupos de pesquisa: “O processo saúde doença na perspectiva sociocultural” e “Grupo de Pesquisa em Síntese de Evidências em Saúde (GPeSES)”.

 

 


 

Monise Galante Paiva Gregorini é enfermeira, mestranda do Programa de Pós-graduação Stricto sensu em Enfermagem da Universidade Federal de Alfenas.  Sua pesquisa de mestrado investiga a “Estratégia de Qualificação para o cuidado às pessoas com doenças crônicas não transmissíveis”, sob orientação da professora Silvana Maria Coelho Leite Fava e coorientação da professora Simone Albino da Silva.

 


Nydie Gervais é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UNIFAL-MG, discente internacional pelo convênio PAEC. Enfermeira Have Faith (Haiti) e enfermeira educadora. Membro do projeto de extensão DIPER, do programa Condições Crônicas: cuidados inovadores e do grupo de pesquisa Processo saúde doença na perspectiva sociocultural.

 

 


 

Simone Albino da Silva é professora Associada da Escola de Enfermagem da UNIFAL-MG, doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Docente permanente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem. Atua no curso de graduação em Enfermagem, na área de Políticas e Práticas em Saúde Coletiva e Enfermagem em Atenção Primária a Saúde; na Residência Multiprofissional em Saúde da Família nas áreas de Promoção da Saúde e de Avaliação de Projetos, Programas e Serviços de Saúde no Âmbito da Atenção Primária à Saúde no contexto do SUS. Líder do grupo de pesquisa “Fundamentação Teórica, Metodológica e Tecnológica de Assistência à Saúde do Indivíduo, Família e Coletividade”. Orientadora da Liga Acadêmica de Atenção Primária à Saúde – LIGAPS.


 

Isabelle Cristinne Pinto Costa é professora da Escola de Enfermagem da UNIFAL-MG, doutora em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Pós-graduada em Ensino do Processo de Enfermagem; Cuidado Paliativos e Dor; e Saúde Coletiva. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Líder do Grupo de Estudo do Processo de Enfermagem aplicado ao Cuidado (GEPEC) da UNIFAL-MG. Vice-líder do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa – GIP da UNIFAL-MG. Coordenadora da Liga Acadêmica do Processo de Enfermagem – LIGAPE da Universidade.

 


Eliza Maria Rezende Dázio é professora da Escola de Enfermagem da UNIFAL-MG, doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Docente do Programa de Pós-Graduação Sem Enfermagem. Coordenadora adjunto do projeto de extensão DIPER e do programa Condições Crônicas: Cuidados invadores; coordenadora do projeto de extensão Viva bem com uma estomia. Membro do grupo de pesquisa Processo saúde/doença na perspectiva sociocultural.

 


Silvana Maria Coelho Leite Fava é professora da Escola de Enfermagem da UNIFAL-MG; doutora em Ciências pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Foi coordenadora de extensão do curso de Enfermagem no período de 2001-2005, pró-reitora de graduação no período de 2005-2009 e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem de 2013 a 2019. Atualmente é coordenadora adjunta do Programa de Pós- graduação em Enfermagem e líder do grupo de pesquisa Processo Saúde Doença na perspectiva sociocultural. A docente também coordena o programa de extensão Condições Crônicas: cuidados inovadores e o projeto de extensão DIPER.

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