Ao analisar a usabilidade do aplicativo Repetição Máxima (RM), pesquisadores da UNIFAL-MG evidenciaram que essa tecnologia é capaz de identificar e corrigir desequilíbrios entre músculos agonistas e antagonistas em uma articulação, além de orientar sobre o treinamento mais adequado para restaurar o equilíbrio muscular, quando necessário.


Intitulada “Análise da razão antagonista/agonista do joelho por resistência muscular localizada e sua relação com variáveis funcionais”, a pesquisa consiste na tese de doutorado do professor e pesquisador Dennis William Abdala, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação (PPGCR) e ao Programa de Pós-Graduação em Biociências Aplicadas à Saúde (PPGB) da UNIFAL-MG, desenvolvida sob a orientação do docente Leonardo César Carvalho.
Os músculos agonistas são os principais responsáveis pela realização de um movimento, enquanto os antagonistas são os músculos que se opõem a esse movimento. Portanto, ao mesmo tempo em que o agonista se contrai, o antagonista correspondente relaxa. Por exemplo, ao dobrar (fletir) o braço, o músculo bíceps braquial (agonista) se contrai e o músculo tríceps braquial (antagonista) relaxa.
Os autores convidaram a população para participar do estudo e, a partir disso, selecionaram 27 adultos jovens. A pesquisa foi conduzida entre março e setembro de 2023. O grupo foi submetido a testes de resistência muscular localizada em determinadas articulações, conduzidos até o ponto de falha na contração muscular, com o objetivo de avaliar a capacidade muscular dessas regiões. Os dados obtidos foram inseridos no aplicativo RM, desenvolvido e configurado para identificar possíveis desequilíbrios ou equilíbrios musculares.

Os resultados foram comparados com outros testes complementares, como a eletromiografia – que mede os impulsos elétricos gerados durante a contração muscular – e a célula de carga, utilizada para avaliar a força muscular. Também foi aplicada a baropodometria, um exame que analisa o equilíbrio estático (capacidade de manter o corpo parado) por meio da distribuição de pressão na planta dos pés.
De acordo com Dennis Abdala, apesar de os resultados serem preliminares, eles já se mostram promissores. “Ainda estamos apenas no início – é como estar na ponta do iceberg. Há muito trabalho pela frente, mas o fato de já ser possível avaliar músculos agonistas e antagonistas de forma acessível, rápida e com coerência clínica representa um avanço significativo. Essa abordagem, viável para profissionais de saúde em diversos contextos, facilita intervenções mais precisas e eficazes para aqueles que necessitam de tratamento”, enfatiza.
O pesquisador destaca que os achados do estudo contribuem para a prevenção e, em muitos casos, para a eliminação de dores causadas pelo desequilíbrio muscular.
Segundo Dennis Abdala, o modo como a avaliação do equilíbrio muscular é realizada atualmente, por meio de aparelhos isocinéticos, possui alto custo de aquisição e acesso limitado ao público. “Com o nosso aplicativo, utilizando dados obtidos em pesquisas com o isocinético, conseguimos oferecer uma alternativa prática, acessível e econômica para profissionais de saúde que precisam avaliar o equilíbrio ou desequilíbrio muscular em ambiente clínico. Embora ainda seja necessário ampliar o número de pessoas avaliadas para fortalecer nossa base de dados, já estamos trabalhando ativamente nessa etapa”, afirma.

Esses resultados iniciais da pesquisa indicam um grande potencial na avaliação do equilíbrio muscular entre músculos agonistas e antagonistas em grandes articulações, conforme os pesquisadores. Mesmo assim, a fim de que os dados se tornem mais robustos e representativos, os autores ressaltam ser essencial ampliar a amostra de participantes, incluindo indivíduos com diferentes faixas etárias, níveis de atividade física e condições de saúde. “Essa diversidade permitirá validar os achados iniciais, identificar padrões mais consistentes e ajustar os parâmetros do aplicativo RM para oferecer avaliações ainda mais precisas e personalizadas”, explicam.
Os pesquisadores acrescentam que, com uma base de dados mais ampla, será possível estabelecer referências clínicas mais confiáveis, o que contribuirá para intervenções terapêuticas mais eficazes e acessíveis. “Estamos comprometidos em seguir com essa expansão, fortalecendo a aplicabilidade prática da ferramenta e promovendo avanços significativos na avaliação muscular em ambientes clínicos e esportivos”, pontuam.
Este estudo foi financiado, parcialmente, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio do PPGCR da UNIFAL-MG, e gerou três artigos sobre o tema: Usabilidade de um aplicativo para análise do desequilíbrio muscular, Análise do desequilíbrio do joelho por resistência muscular localizada com elástico e sua relação com variáveis funcionais e Efeito do treinamento de força muscular da coxa por meio da telereabilitação em voluntários com dor lombar. um ensaio clínico controlado e randomizado, publicado no periódico Journal of Bodywork and Movement Therapies em 2025. Confira aqui

Vitoria Gabriele Souza Geraldine é acadêmica do curso de Medicina da UNIFAL-MG e bolsista do projeto +Ciência, cuja proposta é fomentar a cultura institucional de divulgação científica e tecnológica. A iniciativa conta com o apoio da FAPEMIG por meio do Programa Comunicação Pública da Ciência e da Tecnologia para desenvolvimento.
*Texto elaborado sob supervisão e orientação de Ana Carolina Araújo