Da permanência estudantil à conquista do diploma em Engenharia Ambiental na universidade pública

Destaque Acadêmico do curso de Engenharia Ambiental, Ana Lidia de Castro relembra como o suporte institucional foi decisivo para transformar sonho em profissão

Atualizado em 11/02/2026 08:27

Entre os dados que mostram a presença feminina nas Engenharias da UNIFAL-MG, há histórias que revelam o impacto social da universidade pública na vida das estudantes. Na Engenharia Ambiental, Ana Lidia de Castro foi reconhecida como Destaque Acadêmico, fato que simboliza não apenas mérito individual, mas o poder transformador do ensino público federal aliado às políticas de permanência estudantil.

Ana Lidia compartilha a sua trajetória, os desafios enfrentados no mercado de trabalho e a importância de ocupar espaços técnicos com firmeza e competência.

Da permanência estudantil à realização de um sonho

Compartilhe como foi a sua experiência acadêmica e pessoal durante a graduação na UNIFAL-MG
Ana Lidia de Castro – graduada em Engenharia Ambiental, foi reconhecida como Destaque Acadêmico. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ana Lídia: Cursar a UNIFAL-MG foi a realização de um sonho que, por muito tempo, pareceu distante. Ouvi que, por vir de uma realidade simples e sem recursos, não conseguiria cursar uma universidade; mas esse sonho foi viabilizado pela excelência e pela oportunidade do ensino público federal. Guardo uma gratidão profunda pela PRACE, que me assistiu durante todo o período da graduação, sendo o suporte essencial para que eu pudesse permanecer e concluir meus estudos.

O percurso exigiu resiliência e uma entrega genuína, mas cada etapa foi fundamental para o meu amadurecimento. Durante a graduação, além de construir laços com pessoas incríveis, foquei minha trajetória em estágios e projetos de extensão em educação ambiental. Essas vivências me permitiram cumprir o maior propósito de um aluno de universidade pública: converter o investimento da sociedade em benefícios diretos para a comunidade.

Essa base sólida, guiada por professores que foram verdadeiros mentores, não apenas me capacitou para os desafios do mercado, mas fundamenta cada decisão técnica que tomo hoje em minha atuação profissional. Saio da UNIFAL não apenas com um diploma e o título de destaque acadêmico, mas como a prova viva de que a educação pública, quando oferece suporte e qualidade, transforma trajetórias.

Competência técnica não tem gênero

O que significa, para você, receber esse reconhecimento acadêmico sendo mulher em um curso de Engenharia?
Para Ana Lidia, o reconhecimento significa que cada noite de estudo e cada projeto de extensão valeram a pena para consolidar sua base como engenheira. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ana Lídia: Receber esse reconhecimento é a validação de uma jornada de muita resiliência. Ser mulher na Engenharia exige um nível de entrega constante; exige quebrar estereótipos com resultados práticos e posicionamentos firmes. Ser destaque acadêmico do meu curso reafirma que a competência técnica não tem gênero e que nossa presença é indispensável.

Para mim, significa que cada noite de estudo e cada projeto de extensão valeram a pena para consolidar minha base como engenheira e provar que somos essenciais na construção de soluções sustentáveis para a sociedade. Foi um momento de extrema alegria e realização ouvir meu nome sendo chamado; naquele instante, passou um filme em minha cabeça onde eu observava cada desafio vencido, sentindo que aquele certificado não era apenas um diploma, mas um troféu por toda a minha trajetória.

A pressão silenciosa de provar em dobro

Ao longo do curso, você sentiu que ser mulher em uma área de Engenharia trouxe desafios específicos? Quais?

Ana Lídia: Na graduação em si eu não senti tantos desafios específicos. Mas no mercado de trabalho, os desafios existem e muitas vezes são sutis, mas constantes.

“Em um ambiente majoritariamente masculino, parece haver uma lupa sobre nossos erros e uma exigência maior para que nossas opiniões técnicas sejam validadas.”

O maior deles é a necessidade silenciosa de provar competência em dobro. Em um ambiente majoritariamente masculino, parece haver uma lupa sobre nossos erros e uma exigência maior para que nossas opiniões técnicas sejam validadas.

No início, isso gera uma pressão interna por perfeccionismo. Outro desafio é o posicionamento: aprender a falar com firmeza e ocupar espaços em discussões técnicas, sem ser silenciada. Vencer esses desafios exigiu que eu transformasse essa pressão em combustível para me aprimorar mais e mais.

“Não negocie o seu talento”

Que mensagem você deixaria para uma menina que gosta de Matemática, Engenharia, Química ou Ciências, mas tem dúvida se é um caminho para ela?

Ana Lídia: Minha mensagem é: não negocie o seu talento por medo de não pertencer. Se você brilha os olhos com as ciências exatas, esse lugar já é seu por direito.

“Não deixe que estereótipos definam o teto do que você pode alcançar. Busque referências, persista nos dias difíceis e lembre-se: o conhecimento é o único poder que ninguém pode tirar de você.”

O caminho pode parecer intimidador, mas a sua visão única e sua sensibilidade técnica são exatamente o que o mundo precisa para resolver os problemas complexos de hoje.

Não deixe que estereótipos definam o teto do que você pode alcançar. Busque referências, persista nos dias difíceis e lembre-se: o conhecimento é o único poder que ninguém pode tirar de você. Se eu realizei meu sonho na UNIFAL e me tornei destaque, você também pode transformar sua paixão em uma trajetória brilhante.

 

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