Ato simbólico marca fixação das placas de obras e espaços acadêmicos no campus Poços de Caldas

Cerimônia destacou a entrega de melhorias de infraestrutura, o fortalecimento da pesquisa e a homenagem à ativista Laudelina de Campos Melo no novo auditório do campus
Fixação da placa do Auditório Laudelina de Campos Melo no campus Poços de Caldas (Foto: Vitória/Dicom)

Na sexta-feira, 13 de março, a UNIFAL-MG realizou, no campus Poços de Caldas, o ato simbólico de fixação das placas dos espaços acadêmicos e das obras de infraestrutura inaugurados em 12 de fevereiro deste ano, durante a visita do ministro da Educação, Camilo Santana. A solenidade reuniu representantes da gestão universitária, docentes, técnicos, estudantes e integrantes da comunidade externa.

Participantes da cerimônia de fixação da placa do Auditório Laudelina de Campos Melo se reuniram no novo espaço do campus Poços de Caldas, em homenagem à ativista e em celebração às obras inauguradas na UNIFAL-MG (Foto: Vitória/Dicom)

Na ocasião, foram destacadas a reestruturação do prédio G, a ampliação da rede de energia elétrica do campus, o Centro de Estudos e Aplicação de Materiais para Remediação Ambiental (Cemara) e o Auditório Laudelina de Campos Melo. O momento também foi marcado por falas que ressaltaram tanto a importância das obras para o ensino, a pesquisa e a permanência universitária quanto o significado simbólico da homenagem à ativista negra nascida em Poços de Caldas.

O auditório recebeu o nome de Laudelina de Campos Melo em conformidade com a Resolução Consuni nº 23, de 27 de fevereiro de 2025. Reconhecida nacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas e no combate ao racismo e à discriminação contra as mulheres, Laudelina passou a dar nome a um dos mais novos espaços de eventos do campus, com capacidade para 300 pessoas e infraestrutura audiovisual para transmissões e registros institucionais.

Homenagem reforça memória, representatividade e compromisso social

Wagner Roberto Dias Nascimento (Foto: Vitória/Dicom)

Vice-presidente do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), o técnico-administrativo em educação Wagner Roberto Dias Nascimento destacou o valor da nomeação para a comunidade universitária e para a cidade. “Para nós é muito importante no Núcleo termos essa representatividade aqui no campus”, afirmou. Ao refletir sobre o impacto da homenagem, ele acrescentou: “Nós sabemos o quanto essa questão de se perceber podendo ocupar os lugares é importante para os jovens. E ainda mais um jovem negro. E ainda mais uma mulher negra”.

Wagner também relembrou que a escolha do nome foi fruto de um processo coletivo de pesquisa, reflexão e ações formativas desenvolvidas pelo NEABI. Segundo ele, a homenagem vai além da nomeação física do espaço e se conecta à necessidade de difundir a trajetória da ativista. “Colocar um nome em um auditório, mas não saber sobre a história, o que isso representa, parecia pouco para o que ela representa”, disse.

Representando a ONG Casa Laudelina de Campos Melo, José Muniz Alves ressaltou a força inspiradora da homenageada e o papel simbólico da iniciativa da Universidade. “Hoje nós nos sentimos felizes e muito alegres por saber que a UNIFAL-MG, uma grande universidade do Brasil, inaugura um auditório onde, com certeza, muitas coisas vão acontecer. E muitas transformações vão acontecer”, afirmou.

Leila Aparecida dos Santos (Foto: Vitória/Dicom)

A assistente social Leila Aparecida dos Santos, representante da Secretaria Municipal de Assistência Social, também enfatizou a relevância de reconhecer a trajetória de Laudelina em um espaço público e universitário. “A gente tem na pessoa da Laudelina um exemplo inestimável”, disse. Para ela, a homenagem fortalece a luta por igualdade racial e de gênero: “Um lugar na universidade pública, federal, com o nome de uma mulher negra espetacular que é a Laudelina”.

Ao comentar a escolha do nome, o vice-diretor do campus Poços de Caldas, professor Marlus Pinheiro Rolemberg, afirmou sentir-se representado pela homenagem e destacou a necessidade de ampliar iniciativas semelhantes. “Eu me sinto representado por essa homenagem à Laudelina”, declarou. “Essa homenagem que foi feita aqui pela Universidade para a Laudelina é uma pequena homenagem. Precisa de muito mais”.

Obras ampliam estrutura do campus para ensino, pesquisa e segurança

Roberto Bertholdo é coordenador do CEMARA (Foto: Vitória/Dicom)

Durante a cerimônia, o professor do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), Roberto Bertholdo, relembrou a trajetória de implantação do Cemara, desde a aprovação do projeto, em 2013, até a conclusão das etapas da estrutura. Segundo ele, os investimentos permitiram a consolidação de um ambiente de pesquisa avançada voltado à remediação ambiental e à caracterização de materiais.

“Hoje a gente está aí com cerca de mais de 50 pessoas trabalhando dentro do prédio, dentre trabalhos de TCC, iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Então, a gente está fazendo jus à infraestrutura que nos foi concedida”, afirmou. O docente também agradeceu a parceria de colegas, pró-reitorias e equipes da Universidade envolvidas desde a elaboração do projeto até sua execução.

Charles Guimarães Lopes (Foto: Vitória/Dicom)

Representando a Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Desenvolvimento Institucional, o pró-reitor adjunto Charles Guimarães Lopes relembrou os entraves enfrentados para a conclusão das obras, entre eles a pandemia, questões administrativas, restrições orçamentárias e sucessivas rescisões contratuais. “Nós tivemos muitos desafios quando foram construídos esses prédios, principalmente por questão da pandemia”, disse. “Tivemos que perder recurso, devolver para o governo federal, e tivemos que pedir de novo”. Para ele, a fixação das placas simboliza o encerramento de uma etapa marcada pela persistência institucional.

Também ao abordar os investimentos realizados, o professor Marlus detalhou a dimensão das intervenções no campus e destacou o impacto das melhorias para a comunidade acadêmica. Sobre a ampliação da rede elétrica, observou que a obra abre possibilidades para novas expansões. “Gastamos três milhões nessa ampliação”, afirmou. “Agora, se a gente quiser construir prédio aqui, pode construir que tem energia elétrica”.

Marlus Pinheiro Rolemberg (Foto: Vitória/Dicom)

O vice-diretor também ressaltou a importância da reestruturação do prédio G, atingido anteriormente pelo desabamento do telhado durante uma tempestade, e definiu o auditório como um dos símbolos dessa nova etapa do campus. “Eu ouso dizer que é o auditório mais moderno de Poços de Caldas”, declarou.

Gestão destaca papel da universidade pública

Em seu pronunciamento, o reitor da UNIFAL-MG, professor Sandro Amadeu Cerveira, afirmou que a cerimônia representou um momento de fechamento de ciclo e de reconhecimento ao trabalho coletivo que possibilitou a entrega das obras e das homenagens. “Estou muito feliz de estar concluindo meu mandato com essas inaugurações, com essas homenagens e com esses marcos”, disse.

Sandro Amadeu Cerveira (Foto: Vitória/Dicom)

Sandro destacou que as conquistas do campus Poços de Caldas não se resumem à infraestrutura física, mas também incluem a ampliação de cursos e o fortalecimento institucional da unidade. “Além das obras que nós já falamos, nós conseguimos ampliar o número de cursos aqui para Poços de Caldas”, afirmou, ao mencionar a implantação dos cursos de Engenharia Civil, Engenharia de Produção e Gestão Ambiental e Sustentabilidade.

Ao falar sobre a ampliação da rede elétrica, o reitor ressaltou os reflexos diretos da intervenção na segurança e na rotina acadêmica, especialmente para os estudantes dos cursos noturnos. Segundo ele, a melhoria da iluminação representa um investimento que, muitas vezes, só é percebido em sua ausência, mas que impacta diretamente a qualidade da vida universitária.

O reitor também destacou o papel do Cemara e da pesquisa produzida na Universidade. “Quem faz a pesquisa desse país somos nós. Nós quem? A universidade pública. Noventa e cinco por cento”, enfatizou.

Ao encerrar a solenidade, o professor Sandro retomou o sentido coletivo do evento e o valor simbólico das entregas para o futuro da Instituição. Para ele, “cada obra inaugurada e cada nome atribuído aos espaços representam mais do que marcos administrativos: expressam uma universidade construída por muitas mãos e comprometida com a memória, a inclusão e a produção de conhecimento”.

Fotos galeria: Vitória/Dicom

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