Entre as trajetórias femininas que ajudam a redesenhar a presença das mulheres nas Engenharias da UNIFAL-MG, a história de Isabelle Ferreira revela o impacto de uma formação construída com envolvimento acadêmico, extensão universitária e iniciação científica. Reconhecida pela segunda vez como Destaque Acadêmico, a recém-formada em Engenharia Química simboliza o potencial de uma universidade pública que amplia oportunidades e estimula o protagonismo estudantil.
A seguir, Isabelle relembra sua trajetória, fala sobre reconhecimento e deixa uma mensagem direta às meninas que desejam seguir carreira científica.
Uma trajetória construída com participação ativa
Compartilhe como foi a sua experiência acadêmica e pessoal durante a graduação na UNIFAL-MG

Isabelle: Ingressei na Universidade Federal de Alfenas em 2020/1. Iniciei minha trajetória através do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, curso no qual conquistei pela primeira vez o título de Destaque Acadêmico em 2023.
Durante este período, consegui aproveitar ao máximo todas as atividades de extensão disponíveis na Universidade. Inicialmente ingressei na Prospec Jr., em 2021, empresa júnior na qual evoluí até o cargo de diretora de RH, e que apesar de ser da Engenharia de Minas, trouxe experiências que, mais tarde, foram úteis ao início da minha vida profissional.
Ainda em 2021, fiz parte do projeto Meet Up to Speak English, onde realizávamos reuniões semanais de conversação sobre temas diversos totalmente em inglês. Nesta fase, fiz amizades com pessoas de outros campi e desenvolvi bastante a oratória no idioma. Em seguida, já em 2022, ingressei como bolsista no grupo PET Ciência. Foi uma experiência extremamente enriquecedora tanto acadêmica quanto profissionalmente.
Além do trabalho em equipe e outras habilidades como organização e afins, desenvolvemos muitas atividades junto à comunidade interna e externa. Ver a empolgação do público frente às atividades fez-me notar o quão gratificante é disseminar o conhecimento ao próximo. Também participei da ProEQ Jr., e do CaEQ, empresa júnior e centro acadêmico da EQ respectivamente. Além de ter sido monitora voluntária de representação gráfica e ter realizado uma iniciação científica sobre a síntese de nanopartículas de tungstato de zinco para fotodegradação de poluentes orgânicos. Além disso, desenvolvi dois projetos finais de curso, um sobre a avaliação do potencial de geração de biogás a partir de resíduo lácteo em pó e outro referente à segurança em atmosferas explosivas na indústria alimentícia com estudo de caso aplicado.
Reconhecimento que valida cada esforço
O que significa, para você, receber esse reconhecimento acadêmico sendo mulher em um curso de Engenharia?

Isabelle: Foi uma honra conquistar, pela segunda vez, o título de destaque acadêmico. Não apenas um prêmio, acredito que esta certificação é reflexo de que cada esforço valeu a pena e que a dedicação sempre encontra seu caminho – independente de quantos obstáculos encontremos durante cada jornada, o que nos está destinado, assim será!!
Incentivo e acolhimento na formação acadêmica
Ao longo do curso, você sentiu que ser mulher em uma área de Engenharia trouxe desafios específicos? Quais?
Isabelle: No meu caso, não tive muitos problemas nem na Universidade, nem no ambiente corporativo. Todos os docentes sempre foram muito receptivos e respeitosos com todos de forma igualitária.
Tanto que recebi muito incentivo tanto do meu orientador de IC quanto do meu orientador de PFC da EQ a continuar na carreira acadêmica, com convites à contribuição em suas aulas, inclusive. Também sempre me incentivaram a continuar seguindo meus sonhos e atingindo meus objetivos independente de qualquer obstáculo.
Resiliência como parte da formação
Que mensagem você deixaria para uma menina que gosta de Matemática, Engenharia, Química ou Ciências, mas tem dúvida se é um caminho para ela?
Isabelle: Meu conselho para todas as meninas que almejam cursos relacionados à ciência, engenharia e demais áreas correlatas assemelha-se à famosa frase da animação “Procurando Nemo”: continuem a nadar!!
Inúmeros serão os obstáculos e dificuldades que, muitas vezes, vocês terão que superar, porém, leve-os sempre como aprendizados que apenas lhes tornaram mais resilientes a cada dia. Aproveitem ao máximo todas as oportunidades que a Universidade tem a oferecer, participem de programas como PET, empresas juniores, centros acadêmicos, façam iniciações científicas, sejam monitoras, façam amigos de valor! Sejam livres para tentar, falhar, acertar e crescer.
Finalizo meu conselho parafraseando duas frases que sempre levo comigo, ambas de autoria do filósofo brasileiro Mario Sérgio Cortella. A vida é curta para ser pequena, então sempre faça o seu melhor com o que você tem, para que quando tiver instrumentos melhores, vocês consigam fazer melhor ainda!
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