O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) da UNIFAL-MG participou, nos dias 12 e 13 de fevereiro, do Encontro de Formação para as Relações Étnico-Raciais, voltado a guardas civis municipais e agentes de trânsito de Poços de Caldas. A atividade foi realizada na sede da Guarda Civil Municipal (GCM), na antiga estação rodoviária (Fepasa), e reuniu duas turmas de servidores.

Promovido pela Divisão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica da Secretaria Municipal de Assistência Social e pela Rede da Igualdade Racial, em parceria com a Autarquia Municipal de Ensino (AME), o encontro teve abertura com apresentação cultural da Orquestra Berimbauê e palestras voltadas ao letramento racial e ao enfrentamento do racismo estrutural.
Representando o NEABI, Wagner Roberto Dias Nascimento, vice-presidente do Núcleo, servidor do campus Poços de Caldas e integrante da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, ministrou a palestra “Racismo estrutural (de)codificado: inteligência artificial é segura para todos?”, propondo uma conversa sobre o encontro entre tecnologia, desigualdades e políticas públicas.
Na fala, Wagner partiu do conceito de racismo estrutural para mostrar como ele aparece de forma concreta em diferentes dimensões da vida social, como educação, trabalho e segurança pública. A partir daí, conectou o tema ao uso crescente de ferramentas digitais no cotidiano, com foco especial em sistemas automatizados de decisão e tecnologias de reconhecimento facial.
Segundo o palestrante, “a inteligência artificial pode reproduzir ou ampliar tais desigualdades, utilizando-se de bases de dados enviesadas ou tecnologias de reconhecimento facial imprecisas, especialmente para mulheres negras”. Ele ressaltou que, quando essas ferramentas entram no campo da segurança e do atendimento ao público, os riscos deixam de ser abstratos e podem impactar abordagens, triagens e a forma como pessoas são identificadas e tratadas.
Wagner também relacionou o debate ao julgamento do Supremo Tribunal Federal de 18 de dezembro de 2025, que reconheceu a existência de racismo estrutural no Brasil e determinou providências como a elaboração de um plano nacional e a criação de protocolos de atuação e atendimento voltados ao enfrentamento de disparidades raciais, inclusive para autoridades policiais.
Além de autoridades municipais presentes na abertura, o encontro coletou 43 avaliações anônimas dos participantes. Entre as respostas, 97% afirmaram que indicariam a formação para outras pessoas. Os comentários também foram processados em uma nuvem de palavras, apontando interesse por novas oportunidades de formação.














