O projeto de extensão da UNIFAL-MG “Educação e questão étnico-racial no ensino fundamental na EE Coronel José Bento: articulação com Moçambique”, em sua segunda edição, desenvolveu, em parceria com a unidade escolar, atividades com foco na educação e nas questões étnico-raciais. As ações ocorreram entre os meses de novembro e dezembro de 2025, na Escola e na Universidade, e envolveram estudantes de toda a comunidade escolar. A iniciativa esteve vinculada ao projeto de pesquisa “Conhecimentos e saberes educativos geográficos na relação entre Brasil e Moçambique: propostas para ações pedagógicas nas relações étnico-raciais”, aprovado pelo CNPq e coordenado pela UERJ.
A ação foi coordenada pela professora Sandra de Castro de Azevedo, do Instituto de Ciências da Natureza (ICN) da UNIFAL-MG, e contou com a participação dos estudantes da Universidade Adrielle Santana Flauzino, do curso de Pedagogia; Ana Beatriz Dias Sousa, Camila Felix do Amparo, Igor Liani Saraiva, Izabela do Nascimento Ferreira e Junier Felizardo Amaral, do curso de Geografia; Amanda Santos, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE); e Guilherme Albuquerque de Oliveira Souza, Gustavo de Oliveira Alexandre e Luan Pedro do Nascimento Ribeiro, do Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO).

A iniciativa foi realizada de forma coletiva entre os membros da equipe, com o apoio da diretora da Escola, Iza Fátima Schneider Serpoloni, e da vice-diretora, Rosana Figueiredo, que incentivaram a participação de todos os profissionais da unidade. As ações tiveram início com uma explicação teórica sobre a origem da Congada, destinada aos estudantes dos 3º, 4º e 5º anos do período da manhã. A prática possibilitou que os estudantes compreendessem essa manifestação cultural, com a valorização de sua origem, sua relação com o continente africano e seu significado como símbolo de resistência e tradição da população negra.

Essa ação preparou os estudantes para assistir à apresentação da Congada de um terno de Poço Fundo/MG. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria de Educação e Cultura do município, que disponibilizou o transporte por intermédio de Larissa Ferreira Paes, funcionária da Secretaria de Ação Social. Após a apresentação, foi realizada uma dinâmica com os discentes dos 1º, 2º e 3º anos do turno da tarde, ao som da música “África”, da dupla Palavra Cantada.

Na atividade, foi feita uma roda africana, com o objetivo de envolver as crianças com a música e contribuir para o desenvolvimento da coordenação motora, com referência a um vídeo da dupla. Em seguida, foi realizada uma brincadeira com o objetivo de trabalhar a representatividade negra na sociedade. Os estudantes indicaram nomes de atores, atrizes, jogadores de futebol e cantores negros, e a turma que obteve maior pontuação recebeu um prêmio simbólico.
Em outro momento, foram trabalhados os instrumentos musicais presentes no samba com os estudantes dos 1º, 2º e 3º anos do turno da tarde. A atividade apresentou instrumentos como pandeiro, chocalho, tantan e tamborim, e fez a relação com as raízes africanas e a importância desse estilo musical. “As crianças se envolveram intensamente, e o pátio da Escola se transformou em uma verdadeira roda de samba”, afirma Sandra Azevedo.

Outra ação foi a confecção de bonecas Abayomi, elementos simbólicos da cultura afro-brasileira, que envolveu cinco turmas de 1º ano. A atividade incluiu a organização e a realização de uma oficina para a produção das bonecas. A equipe do projeto elaborou pequenos kits de tecidos para a elaboração das peças.
A iniciativa foi realizada em sala de aula, onde cada estudante recebeu um kit após a explicação sobre a história da Abayomi, com valorização da cultura afro-brasileira e da luta contra o preconceito e a discriminação. Após a explicação, as crianças confeccionaram as bonecas com a mediação dos membros da equipe. “A atividade contribuiu também, além da questão cultural, com desenvolvimento da coordenação motora das crianças”, enfatiza a docente.
Por fim, o projeto foi encerrado com uma palestra sobre o livro “Kiese: A História de um Africano no Brasil”, escrito por Ricardo Dreguer, direcionada aos estudantes do 5º ano. “A escolha do livro se deu pois os estudantes faziam parte do planejamento da Escola, e a Secretaria Estadual de Educação entregou um livro para cada estudante, e as professoras já tinham trabalhado o conteúdo com os alunos. Diante desse contexto, fizemos uma complementação com uma perspectiva mais geográfica, mostrando, no mapa, os lugares percorridos por Kiese, para eles conseguirem ter a visão espacial do trajeto da África até o Brasil. Falamos da questão da diferença de classes sociais e como a escravidão impactou até os dias atuais”, ressalta Sandra Azevedo.

Para essa ação, a equipe produziu um mapa do continente africano em feltro, de aproximadamente um metro, que ficou exposto no pátio da Escola, para os estudantes pudessem explorar sempre que houvesse interesse. “Eu gostei muito do projeto, me ensinou várias coisas sobre cultura africana e sobre a nossa ancestralidade, pois tem muitas pessoas que têm ascentralidade na África. Também é bom para entender sobre como aconteceu a escravidão e porque aconteceu ela, e qual foi o meio disto”, declara Maria Fernanda de Castro de Azevedo, estudante do 5º ano da Escola.
De acordo com a coordenadora, desde 2003, por meio da Lei 10.639, as escolas brasileiras trabalham, em seus conteúdos escolares, os conteúdos referentes ao estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, o que resgata a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. “Essa lei que é resultado da luta dos movimentos sociais foi uma das portas de entrada para o a nascimento da educação antirracista”, finaliza Sandra Azevedo.













