Nas áreas de Exatas e Engenharias, onde os dados ainda apontam predominância masculina, histórias individuais ajudam a transformar estatísticas em trajetórias concretas. No curso de Engenharia de Minas, Carolina Mendes Gonçalves foi reconhecida como Destaque Acadêmico, um feito que carrega não apenas mérito individual, mas também significado simbólico para a presença feminina na área.
A seguir, Carolina compartilha sua trajetória, os desafios enfrentados e a importância da rede de apoio entre mulheres na construção de uma ciência mais plural.
Abraçar todas as oportunidades
Compartilhe como foi a sua experiência acadêmica e pessoal durante a graduação na UNIFAL-MG

Carolina: Dentro da Universidade abracei todas as oportunidades que surgiram. Participei de simpósios, palestras, atividades de extensão com a comunidade e de três Iniciações Científicas importantes, pesquisando rejeitos da mineração e a responsabilidade do setor em construir um mundo sustentável.
Tive uma grande rede de apoio e inspiração das docentes dentro da universidade, principalmente da minha orientadora, a professora doutora Carolina Del Roveri. Essas experiências abriram portas para minha carreira como pesquisadora e cientista e me levaram a desenvolver uma consultoria ligada a uma grande empresa internacional, intercâmbio com outras grandes universidades e a ingressar na pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais na UNIFAL-MG.
Ao mesmo tempo, busquei projetos que destacassem a representação feminina nas STEM, como “Ciência, Coisa de Menina” e “Mulheres na Mineração” para continuar incentivando na trajetória de outras mulheres e meninas que buscavam seguir o mesmo caminho.
Reconhecimento que inspira outras meninas
O que significa, para você, receber esse reconhecimento acadêmico sendo mulher em um curso de Engenharia?

Carolina: Ter o reconhecimento de Destaque Acadêmico dentro da Engenharia de Minas, em um curso majoritariamente masculino, significa que posso incentivar outras meninas a seguir a carreira científica e isso é profundamente gratificante.
Nós, mulheres, enfrentamos obstáculos e recursos limitados, mas seguimos resilientes. Acredito que temos um papel vital na comunidade científica: quebrar estereótipos, erradicar a discriminação e abrir caminhos para as próximas gerações. A ciência precisa de mais mulheres!
Quando a rede de apoio transforma o caminho
Ao longo do curso, você sentiu que ser mulher em uma área de Engenharia trouxe desafios específicos? Quais?
Carolina: Ser mulher na engenharia não foi fácil. Ouvi comentários que quase me desmotivaram, mas encontrei mulheres incríveis na universidade, desde discentes, pós-graduandas e docentes que me mostraram a força e resiliência da mulher brasileira que nunca desiste diante dos desafios. Apesar dos dias difíceis, vivi muitos mais dias de apoio, incentivo e força ao lado dessas mulheres. Essa rede de apoio me inspirou a seguir e a acreditar que juntas podemos transformar a realidade da ciência e da engenharia.
“Continue, não desista”
Que mensagem você deixaria para uma menina que gosta de Matemática, Engenharia, Química ou Ciências, mas tem dúvida se é um caminho para ela?
Carolina: Para todas as meninas e mulheres que sonham com a pesquisa e a ciência o caminho não será fácil e nem sempre será justo. Mas a jornada é incrível. A gente aprende, cresce e se transforma.
Continue, não desista. Pelo caminho você encontrará mulheres incríveis que vão te apoiar. E quando chegar a sua vez, apoie outras que estão começando. Afinal, não existe currículo maior do que incentivar e apoiar alguém nessa caminhada.













