UNIFAL-MG realiza entrega da Certificação de Notório Saber em Cultura Popular

Solenidade reconheceu mestres da cultura popular como detentores de conhecimento legítimo para atuação em atividades de extensão e cultura na Universidade (Foto: Isabelle Medeiros)

A UNIFAL-MG realizou, no dia 18/03, a solenidade de entrega da Certificação de Notório Saber em Cultura Popular, voltada à atuação em atividades de extensão e cultura. A cerimônia, realizada no Auditório R101, marcou um momento inédito na história da instituição ao reconhecer, de forma oficial, mestres cuja trajetória e experiência contribuem para a valorização dos saberes tradicionais e comunitários.

A certificação foi criada pela Resolução nº 67, de 19 de setembro de 2024, do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, por proposta da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC), e regulamentada pelo Edital 03/2025. Os trâmites avaliativos foram concluídos em dezembro de 2025 por uma Comissão Avaliadora instituída pela Portaria nº 2395.

Nesta primeira edição, três mestres receberam o título de Mestre de Notório Saber em Cultura Popular: Denilson Fiuza, Adriano Maximiano e Wilson Santos — este último com participação remota na solenidade.

Denilson Fiuza (Foto: Isabelle Medeiros)

Conheça os mestres certificados

Denilson Fiuza é reinadeiro e representante da Associação da Guarda da Vila Celeste, reconhecida como Patrimônio Cultural do Estado de Minas Gerais e da cidade de Belo Horizonte. Integrante da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, situada no bairro Santa Efigênia, é também mestrando pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde se dedica à preservação da memória coletiva e à valorização dos saberes ancestrais transmitidos entre gerações.

Adriano Maximiano é Capitão de Coroa e Meirinho dos Ternos de Congo e Moçambique de Ilicínea, além de réu perpétuo da bandeira de São Benedito na cidade de Guapé (MG). Em 2024, tornou-se o primeiro mestre tradicional a dirigir a Diretoria de Proteção e Memória do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), reafirmando sua atuação como guardião da ancestralidade e da cultura popular mineira.

Wilson Santos (Foto: Isabelle Medeiros)

Wilson Santos é ogã, percussionista e artesão alagoano, nascido no Quilombo de Santa Luzia do Norte. Há mais de 40 anos dedicado às tradições afro-brasileiras, atua como arte-educador popular e é reconhecido como um dos grandes percussionistas do Nordeste. Em 2004, fundou a Orquestra de Tambores de Alagoas, que já percorreu 11 estados brasileiros e alcançou projeção internacional com o álbum “Bantus e Caetés”, destacado por veículos como o The New York Times e a BBC Radio.

O que dizem os mestres

Adriano Maximiano (Foto: Isabelle Medeiros)

Em seu depoimento durante a solenidade, Adriano Maximiano ressaltou o caráter coletivo da conquista, afirmando que o título pertence a todos os mestres, mestras, capitães, guardas e comunidades que mantêm viva a tradição, e que espera que mais mestres sejam reconhecidos pela UNIFAL-MG no futuro.

Wilson Santos, por sua vez, destacou que a certificação representa um marco de reparação histórica e de inclusão epistêmica, ao validar a complexidade das tecnologias ancestrais e dos sistemas de conhecimento que operam para além dos muros convencionais da academia.

Já Denilson Fiuza trouxe a força da ancestralidade em suas palavras, enfatizando que a ciência se fortalece quando valoriza saberes ancestrais e comunitários, e que o conhecimento transmitido dos mais velhos aos mais novos promove uma conexão profunda com as dimensões espirituais e o respeito aos antepassados.

Compromisso com a diversidade de saberes

O evento foi idealizado pela Coordenação de Cultura da UNIFAL-MG, em parceria com a Comissão de Avaliação do Edital de Notório Saber em Cultura Popular. A proposta surgiu como parte das ações de valorização dos saberes tradicionais e comunitários, buscando aproximar a universidade das práticas culturais vivas da região.

Para o professor José Francisco Xarão, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) e pró-reitor de Extensão e Cultura durante a criação da certificação, a entrega dos primeiros títulos consolida um compromisso institucional. Segundo ele, a iniciativa reafirma que os saberes tradicionais e comunitários são parte legítima da produção de conhecimento. “Essa certificação representa um passo decisivo na construção de uma universidade que dialoga com todas as formas de inteligência e expressão cultural que compõem a identidade brasileira, fortalecendo a relação entre o meio acadêmico e a sociedade”, destacou.

Fotos: Isabelle Medeiros

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