“Tenho muito orgulho de dizer que sou ‘filha da UNIFAL-MG’”, declara Aléxias Almeida, egressa do curso de Ciências Sociais da Universidade

Atualizado em 01/09/2026 14:35

Aléxias Almeida é egressa do curso de Ciências Sociais (Bacharelado) da UNIFAL-MG (Fotos: arquivo pessoal).

Aléxias Mendonça de Almeida concluiu o curso de Ciências Sociais (Bacharelado) pela UNIFAL-MG em 2023. Aos 27 anos, mora em Caxambu, no Sul de Minas Gerais. Em sua atuação profissional, presta serviços para duas empresas que atuam nas áreas de Políticas Públicas Culturais e Patrimônio Histórico e Cultural: a AME Cultura e a Patrimonium Assessoria e Consultoria. Hoje, a editoria UNIFAL-MG pelo Mundo apresenta a trajetória de Aléxias Almeida na Universidade.

Ela afirma que queria fazer algum curso na área cultural, no qual pudesse ter contato com ideias e modos de viver diferentes dos seus. Então, pesquisou qual universidade próxima a ela oferecia essa formação, descobriu o curso de Ciências Sociais na UNIFAL-MG.

A graduada conta que teve três experiências que marcaram profundamente sua trajetória na Universidade. A primeira foi perceber como a universidade a transformou como ser humano, tornando-a uma pessoa mais crítica e empática. “Quando comparo a forma como eu pensava ao ingressar no curso com a forma como pensava ao me formar, vejo uma mudança enorme”, declara.

A egressa acredita que isso tem relação direta com a sua dedicação às disciplinas de Antropologia. “Foi por meio delas que passei a enxergar o mundo de outra maneira, tornando-me mais curiosa, tolerante e aberta a compreender diferentes formas de viver. A Antropologia me ensinou que as ações humanas dificilmente acontecem por acaso; elas são atravessadas por contextos, histórias e significados que merecem ser compreendidos antes de qualquer julgamento”, destaca.

Ela pontua que, por meio da disciplina de Antropologia, aprendeu a realizar pesquisas de campo, construir análises fundamentadas, compreender diferentes contextos socioculturais e desenvolver um olhar atento às múltiplas formas pelas quais as pessoas atribuem significado ao mundo que as cerca.

Outra experiência marcante, segundo ela, foi a amizade que construiu com o professor Carlos Tadeu Siepierski. Ela conta que foi ele quem despertou nela esse universo de possibilidades que a Antropologia oferece. Sua trajetória acadêmica se tornou muito mais significativa depois que o conheceu e, até hoje, considera-o um grande mestre, alguém que teve um papel decisivo em sua formação.

A socióloga conta que durante dois anos da graduação, desenvolveu uma pesquisa no Terreiro de Umbanda e Candomblé Tenda Maria Baiana de Aguiné. “Essa experiência me permitiu acompanhar de perto outras formas de compreender o mundo, diferentes concepções de vida e distintas maneiras de construir relações sociais e espirituais. Sem dúvida, foi uma das experiências mais transformadoras da minha trajetória”, relembra.

Aléxias Almeida durante apresentação do Maracatu Muiraquitã na UNIFAL-MG.

Aléxias Almeida relata que esse período, assim como os três anos que fez parte do grupo percussivo Maracatu Muiraquitã, representou um verdadeiro renascimento pessoal e intelectual, ampliou sua capacidade de escuta, de diálogo e de compreensão da diversidade humana. “Foi um período em que um universo completamente novo se abriu para mim. Além de aprender sobre música e percussão, tive a oportunidade de conviver com o Mestre Hugo e aprender com sua experiência, seus conhecimentos e sua maneira de enxergar o mundo”, enfatiza.

A graduada salienta que a Universidade também foi fundamental para o seu crescimento pessoal fora da sala de aula. “Fiz grandes amigos, com quem mantenho contato até hoje, aprendi a viver longe da minha família e desenvolvi mais autonomia para lidar com os desafios do dia a dia”, conta. Para ela, conviver com pessoas de diferentes origens, histórias e realidades expandiu sua forma de enxergar o mundo. Depois que se formou, a profissional se mudou para Brasília, onde passou cerca de um ano vivendo novas experiências e conhecendo a cidade.

A egressa relembra o momento em que pandemia Covid-19 impediu o aproveitamento presencial na Universidade. “No entanto, no ano de 2022 as aulas presenciais retornaram e eu consegui aproveitar melhor. Sempre tive um bom relacionamento com meus colegas e professores. Me tornei outra pessoa depois dessa experiência”, declara.

Em 2024, decidiu retornar a sua cidade natal e, logo que chegou, surgiu a oportunidade de trabalhar temporariamente como guia turística. Pouco tempo depois, foi convidada a prestar assistência à nova diretora de Cultura da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura.

Acho que essa é uma das maiores riquezas da experiência universitária. Ela forma profissionais, mas, acima de tudo, forma pessoas. Por isso, acredito que todos deveriam ter a oportunidade de vivenciar tudo o que a universidade proporciona.

A socióloga aponta que como eu já havia realizado estágio na Secretaria durante a graduação, facilitou sua entrada nesse trabalho temporário. Ao final desse período, foi convidada para participar de um processo seletivo na empresa responsável pela assessoria cultural do município, é onde trabalha até hoje.

Sua atuação está voltada para a área de políticas públicas culturais, especialmente na elaboração de inventários culturais, dossiês de tombamento e processos de registro de bens culturais. “Paralelamente, também tive a oportunidade de prestar serviços para a AME Cultura, desenvolvendo atividades semelhantes. Além disso, passei a integrar a equipe do CRIE PP, iniciativa vinculada ao SEBRAE-SP, onde atuo apoiando gestores municipais de diferentes regiões do Brasil na implementação e no fortalecimento de políticas públicas culturais em seus municípios”, relata.

A UNIFAL-MG teve um papel decisivo na minha inserção no mercado de trabalho. Todas as oportunidades profissionais que tive desde a graduação estão diretamente relacionadas à formação que recebi e às experiências que vivi durante o curso.

Ela acredita que o diploma em Ciências Sociais abriu portas, mas foi a combinação entre a formação teórica, as atividades desenvolvidas na Universidade e as experiências práticas que lhe permitiu conquistar esses espaços.

“Na área de Patrimônio Histórico e Cultural, essa formação é especialmente valorizada. Em grande parte das oportunidades profissionais, a graduação em Ciências Sociais é um dos principais requisitos, justamente pela capacidade de compreender os aspectos sociais, culturais e históricos envolvidos nos processos de preservação do patrimônio”, frisa.

A socióloga tem muito orgulho de trabalhar com a preservação da história e da memória do nosso povo, como afirma. “Sempre digo que fazer um dossiê de registro ou de

Aléxias Almeida registra imagens das Ruínas da Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Santos Dumont/MG, para o processo de tombamento.

tombamento vai muito além de produzir um documento técnico. É uma forma de contribuir para que as histórias, os saberes, as celebrações e os modos de vida das comunidades sejam reconhecidos e preservados”, declara.

Às vezes, ela brinca que se sente um pouco como uma guardiã da memória, porque sabe que o trabalho que faz hoje pode fazer com que referências culturais continuem vivas no futuro. Ao longo de sua carreira, participou da elaboração de diversos processos de registro e tombamento de bens culturais no Sul de Minas. “Posso dizer que atualmente tenho três empregos e é interessante perceber como as ciências humanas, especialmente as Ciências Sociais são bem fluídas, me permitindo atuar em várias vertentes”, salienta.

Dentre essas experiências, o trabalhos dos quais mais se orgulha são o Registro do Carnaval de Belo Horizonte e o Registro dos Terreiros de Umbanda e Candomblé do município de Varginha. “Foram projetos muito importantes para mim, tanto pelo significado desses patrimônios quanto pelo aprendizado que tive durante todo o processo”, evidencia.

Aléxias Almeida também se orgulha de atuar na área de políticas públicas culturais. “Fazer parte da equipe do SEBRAE-SP me dá a oportunidade de trabalhar com gestores municipais de diferentes regiões do Brasil, ajudando na construção e na implementação de políticas culturais mais inclusivas e democráticas”, enfatiza.

A profissional diz que uma das etapas fundamentais de seu trabalho é a construção de roteiros de entrevistas, elaborados de maneira estratégica para que as informações obtidas em campo possam subsidiar análises consistentes. “Além disso, aplico metodologias de pesquisa qualitativa e quantitativa, realizo pesquisas de campo e procuro compreender como determinado bem cultural é percebido, apropriado e celebrado pela comunidade”, aponta.

Para aqueles que ainda estão na Universidade, Aléxias Almeida deixa uma mensagem. “Aprendam a equilibrar o tempo entre os estudos e a vida universitária. Vai haver momentos para se divertir, conhecer pessoas e criar boas memórias, mas também haverá momentos que exigirão dedicação e disciplina. As duas coisas fazem parte da experiência da universidade. Aproveitem tudo o que a universidade tem a oferecer”, afirma.

Ela complementa para que participem das atividades, dos eventos, dos projetos de pesquisa e extensão. “Aproveitem as aulas, conversem com os professores, frequentem a biblioteca e explorem as oportunidades que surgirem. Muitas das experiências que marcaram a minha trajetória aconteceram justamente porque eu resolvi participar de algo novo. E, principalmente, não tenham medo de se arriscar. Às vezes a gente deixa de viver experiências incríveis por insegurança ou por achar que não é capaz”, reforça. A socióloga menciona que a universidade é um espaço para aprender, experimentar e até errar.

“A UNIFAL-MG foi responsável por grande parte da minha formação intelectual e enquanto pessoa. Hoje, por meio dos meus conhecimentos, eu trabalho no que eu amo, me sinto com propósito diante da vida e sou uma mulher independente, graças a minha formação. É muito gratificante trabalhar com cultura ter a UNIFAL-MG como parte da minha trajetória é incrível. Eu amo ser Cientista Social”, finaliza.

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