Da UNIFAL-MG à Polônia: estudantes relatam experiências acadêmicas e culturais em universidade polonesa

Atualizado em 20/08/2026 14:56

Nathalia Pereira e Gabriel Cubi, mestrandos em Engenharia Química, relatam experiências de intercâmbio na Polônia. (Fotos: Arquivo Pessoal|Montagem: Dicom)

A experiência internacional proporcionada pelo Programa SPINAKER levou os mestrandos Nathalia Ariela Duque Pereira e Gabriel Mateus Oliveira Cubi, ambos do mestrado em Engenharia Química da UNIFAL-MG, campus Poços de Caldas,  à AGH University.  Na instituição, considerada a segunda maior universidade da Polônia, eles participaram de atividades acadêmicas, tiveram contato com estudantes e pesquisadores de diferentes países e conheceram novas perspectivas sobre ensino, pesquisa e formação profissional.

Dois estudantes são egressos da UNIFAL-MG. Nathalia, graduada em Biomedicina em 2017, participou de um curso sobre catálise, tema relacionado à pesquisa desenvolvida em seu mestrado. Gabriel, graduado em Engenharia Química em 2025, participou de atividades relacionadas à mineração e sustentabilidade.

Nesta entrevista, os dois estudantes contam como foi o processo de preparação para o intercâmbio, a experiência na AGH University, os aprendizados acadêmicos e pessoais, além das novas possibilidades que passaram a enxergar para a continuidade da formação e da carreira.

O que levou vocês a se candidatarem ao Programa SPINAKER e o que esperavam encontrar quando decidiram participar da experiência internacional?

Nathalia Pereira: Eu estava buscando trabalhar mais o meu inglês e, inicialmente, decidi participar do programa justamente por esse ser todo nessa língua. Quando me inscrevi, estava buscando me desafiar e, principalmente, aprimorar meus conhecimentos.

Gabriel Cubi: O que me motivou principalmente foi a oportunidade de ter uma experiência acadêmica internacional e conhecer outra realidade universitária. Eu também queria melhorar meu inglês, principalmente o inglês técnico, e ter contato com temas que pudessem complementar minha formação. Esperava encontrar uma experiência diferente da que temos no Brasil, tanto academicamente quanto culturalmente, e acredito que isso aconteceu.

“É uma experiência que agrega tanto à carreira profissional quanto à trajetória acadêmica e, principalmente, à vida pessoal. Eu fui uma vez e, sem dúvida, iria muitas outras” Nathalia Pereira

Como foi o processo de preparação para o intercâmbio, desde a seleção até a chegada à Polônia? Houve algum desafio ou dificuldade que precisaram superar nessa etapa?

Nathalia Pereira: Foi um processo bem tranquilo. A Diretoria de Relações Internacionais e  Interinstitucionais da UNIFAL-MG (DRI) da UNIFAL nos deu bastante suporte desde o início. O processo foi muito transparente e, como critério da universidade, fizemos uma breve conversa em inglês para que o departamento avaliasse se possuíamos capacidade de enfrentar um curso totalmente em outra língua. Todo esse processo me deixou bastante segura.

Gabriel Cubi: O processo envolveu várias etapas, desde a seleção pelo programa até a organização de documentos, viagem, hospedagem e preparação para as atividades na Polônia. Acho que um dos maiores desafios foi justamente lidar com uma experiência completamente nova, em outro país, com outra língua e outra cultura. Mas o suporte da UNIFAL-MG e o contato com os outros participantes ajudaram bastante durante esse processo.

Gabriel e Nathalia

Como vocês avaliam a experiência de estudar em uma universidade estrangeira e, especificamente, na AGH University? O que mais chamou a atenção de vocês na instituição?

Nathalia Pereira: A experiência foi incrível. A AGH demonstrou, em todo momento, que queria nos proporcionar uma experiência completa, para além das atividades em sala. No primeiro final de semana na Cracóvia, eles fizeram conosco uma viagem de integração, para nos conhecermos melhor e também mostrar um pouco do que era a cidade.

Gabriel Cubi: Foi uma experiência muito positiva e, sem dúvidas, incrível. Desde o início, a equipe da universidade nos prestou todo o apoio necessário, e o meu professor sempre esteve à disposição para nos orientar e ajudar durante a experiência.

A estrutura e o tamanho da AGH University também me deixaram muito impressionado. É uma universidade com uma excelente infraestrutura, um ambiente acadêmico muito internacional e com muitas possibilidades para os estudantes.

Outro ponto que me chamou a atenção foi a oportunidade de relacionar o conteúdo das aulas com questões práticas, além do contato com professores e estudantes de diferentes áreas e países. Ter uma experiência como essa ampliou muito a minha forma de enxergar a universidade, a pesquisa e também a minha própria formação profissional.

“A UNIFAL-MG teve um papel fundamental, porque foi por meio da universidade e do Programa SPINAKER que tivemos acesso a essa oportunidade. Desde o processo de seleção até a realização do intercâmbio, tivemos suporte e orientação, o que foi muito importante para que tudo acontecesse da melhor forma possível.”
Gabriel Cubi

Os cursos realizados na Polônia dialogaram diretamente com as pesquisas de mestrado desenvolvidas na UNIFAL-MG. Que conhecimentos ou experiências adquiridos durante o intercâmbio podem ser incorporados aos trabalhos de vocês?

Nathalia Pereira: Sim. Meu curso na Polônia foi sobre catálise, um tema que dialoga diretamente com a pesquisa que desenvolvi no meu mestrado na UNIFAL-MG, especialmente por eu trabalhar com biocatálise. Durante o intercâmbio, pude aprofundar conhecimentos sobre processos catalíticos, além de conhecer diferentes abordagens e aplicações da catálise. Essa experiência ampliou minha visão sobre o tema e me ajudou a compreender melhor alguns aspectos relacionados à minha própria pesquisa. Inclusive, os conhecimentos adquiridos durante o curso foram muito úteis na etapa final do mestrado, contribuindo para a discussão dos resultados e para a escrita do meu trabalho. Foi uma experiência que agregou não apenas à minha formação acadêmica, mas também diretamente ao desenvolvimento da minha pesquisa.

Gabriel Cubi: No meu caso, meu mestrado está ligado à Engenharia Química e ao aproveitamento e valorização de rejeitos de minério de ferro. Apesar de os cursos não tratarem exatamente do meu tema experimental, eles ampliaram muito a minha visão sobre a mineração.

O curso de Environmental Sociology and Social Problems on the Post-Mining Areas, por exemplo, mostrou que não podemos olhar apenas para o processo mineral ou para o aproveitamento de um rejeito. Também precisamos pensar nos impactos sociais, ambientais e no legado da mineração após o encerramento das atividades. Além disso, o curso de inglês técnico contribuiu para minha comunicação acadêmica e profissional.

Além dos conhecimentos da área, como foi a convivência com estudantes e pesquisadores de outros países? Que aprendizados surgiram desse contato com diferentes culturas, formas de estudar e perspectivas acadêmicas?

Nathalia Pereira: Foi uma experiência bastante enriquecedora e, ao mesmo tempo, desafiadora, principalmente por estarmos em contato com pessoas de diferentes culturas, costumes e formas de estudar. A maioria dos participantes era da América Latina, o que facilitou a aproximação e também despertou meu interesse pelo espanhol como uma terceira língua, além do inglês, que utilizamos para nos comunicar com todos. Essa convivência também me permitiu conhecer diferentes perspectivas acadêmicas e perceber como experiências e formações distintas podem contribuir para uma visão mais ampla sobre a pesquisa e o ambiente universitário.

Gabriel Cubi: Foi uma das partes mais interessantes da experiência. Tivemos contato com pessoas de diferentes países, culturas e formações acadêmicas. Isso mostrou que um mesmo problema pode ser analisado de maneiras muito diferentes. Além do aprendizado acadêmico, também desenvolvemos mais capacidade de comunicação, adaptação e respeito por diferentes perspectivas.

“Não pensem demais, apenas se inscrevam. Essa foi uma das melhores experiências que vivi nos últimos tempos, e sei o quanto teria me arrependido se não tivesse aproveitado essa oportunidade.”
Nathalia Pereira.

Qual foi o papel da UNIFAL-MG no processo de inscrição e realização do intercâmbio? Acreditam que a universidade deve ampliar as possibilidades de intercâmbio para mais estudantes?

Nathalia Pereira: Eu estudei na UNIFAL-MG durante a graduação e, agora, no mestrado. Sempre tive vontade de participar de um programa de intercâmbio, desde a época em que existia o Ciência sem Fronteiras, mas, naquele período, meu inglês ainda não era bom o suficiente. Por isso, a oportunidade oferecida pela UNIFAL-MG foi muito importante para mim e a universidade teve um papel fundamental em todo o processo.

Acredito que a vivência de um intercâmbio vai muito além da sala de aula. É uma oportunidade de ampliar conhecimentos acadêmicos e culturais, desenvolver autonomia, conhecer diferentes perspectivas e vivenciar outras formas de ensino e pesquisa. Por isso, acredito que a universidade deve, sim, ampliar cada vez mais as possibilidades de intercâmbio para seus estudantes. Inclusive, depois dessa experiência, eu certamente faria outro intercâmbio se tivesse a oportunidade.

Gabriel Cubi: A UNIFAL-MG teve um papel fundamental, porque foi por meio da universidade e do Programa SPINAKER que tivemos acesso a essa oportunidade. Desde o processo de seleção até a realização do intercâmbio, tivemos suporte e orientação, o que foi muito importante para que tudo acontecesse da melhor forma possível.

Acredito muito que essas oportunidades devem ser ampliadas para que mais estudantes possam ter uma experiência internacional. Além do conhecimento acadêmico, o intercâmbio contribui muito para a formação profissional e pessoal e também fortalece a internacionalização da própria universidade.

Sem dúvidas, acredito que representamos muito bem a UNIFAL-MG durante nossa passagem pela AGH University. Procuramos aproveitar a oportunidade ao máximo, participar das atividades e mostrar a qualidade dos estudantes e pesquisadores da nossa universidade. Espero que essa experiência também tenha contribuído para fortalecer a relação entre as instituições e que a AGH volte a entrar em contato com a UNIFAL-MG para as próximas edições do programa, inclusive a prevista para o próximo ano.

Foi muito gratificante poder representar a UNIFAL-MG fora do Brasil e saber que fizemos um bom trabalho durante essa experiência.

Gabriel Cubi

Houve algum momento específico durante o intercâmbio que marcou vocês ou que mudou a maneira como enxergam a pesquisa, a universidade ou a própria trajetória acadêmica?

Nathalia Pereira: Houve vários momentos marcantes ao longo do intercâmbio. Desde a adaptação a um novo país, a convivência nos alojamentos e a experiência ao lado dos outros estudantes brasileiros que estavam comigo, até a própria estrutura da AGH, tudo contribuiu para que eu enxergasse a experiência de uma forma diferente. Estar em um ambiente completamente novo fez com que eu ampliasse muito a minha perspectiva, tanto acadêmica quanto pessoal. Você percebe que existe um mundo muito maior do que aquele ao qual estava acostumada e que existem diferentes formas de estudar, pesquisar e vivenciar a universidade. Sinceramente, só essa mudança de perspectiva já teria feito a experiência valer a pena.

Gabriel Cubi: Para mim, um dos momentos mais marcantes foi o trabalho de campo em Katowice (NDR: cidade da Polônia). Nós tivemos contato com áreas que foram fortemente relacionadas à mineração de carvão e pudemos observar como a atividade mineral influenciou a organização das cidades e das comunidades.

Conhecer uma vila construída para os trabalhadores das minas e perceber que toda uma estrutura de vida foi criada em torno da mineração me fez enxergar de forma mais clara que uma mina não é apenas uma operação industrial. Ela influencia famílias, comunidades, cidades e gerações. Isso mudou bastante a minha percepção sobre a responsabilidade de um engenheiro de minas.

Além dos conhecimentos diretamente relacionados ao mestrado, que outros aprendizados vocês levam da experiência — por exemplo, em relação à vida acadêmica, à cultura ou à vida pessoal?

Nathalia Pereira: A cultura foi uma das partes mais incríveis de vivenciar. Cada pedacinho da Polônia carrega muita história, e é possível sentir isso em praticamente todas as ruas da Cracóvia. Também pude conhecer uma realidade acadêmica muito diferente, em que a universidade é vivenciada de forma muito mais completa, desde a experiência nos alojamentos até o contato com tecnologias de ponta que pude observar no campus. Tudo isso ampliou minha visão sobre a vida acadêmica e me fez perceber o quanto a experiência universitária pode ir além da sala de aula e do próprio ambiente de pesquisa.

Gabriel Cubi: Eu acredito que um dos maiores aprendizados foi a autonomia. Estar em outro país, utilizando outro idioma e convivendo com diferentes culturas exige adaptação. Também aprendi muito sobre comunicação e sobre a importância de sair da nossa realidade para compreender outras formas de viver, estudar e trabalhar. É uma experiência que contribui tanto profissionalmente quanto pessoalmente.

“Você não precisa se sentir completamente preparado antes de participar. A própria experiência ajuda a desenvolver confiança, independência e comunicação.”
Gabriel Cubi.

E depois do retorno ao Brasil? Vocês passaram a enxergar novas possibilidades para a continuidade da formação acadêmica ou para a carreira? 

Nathalia Pereira: Sim. Eu não cogitava seguir para um doutorado antes do intercâmbio, mas, depois de conversar com pesquisadores e estudantes da AGH e conhecer melhor as possibilidades de continuar meus estudos na Cracóvia, comecei a repensar essa decisão. A experiência também despertou meu interesse em conhecer melhor o mercado e as indústrias da Polônia. Após retornar ao Brasil, passei a pesquisar mais sobre as oportunidades profissionais e acadêmicas no país e hoje consigo enxergar a Polônia como uma possibilidade para um próximo passo da minha carreira.

Gabriel Cubi: Sim. A experiência mostrou que existem muitas possibilidades de colaboração internacional, tanto na pesquisa quanto na carreira profissional. Hoje consigo enxergar com mais naturalidade a possibilidade de participar de outros projetos internacionais, realizar pesquisas em colaboração com instituições estrangeiras ou até buscar novas experiências acadêmicas fora do Brasil.

Além disso, a experiência reforçou meu interesse por uma atuação profissional na mineração que não considere apenas os aspectos técnicos, mas também sustentabilidade, meio ambiente e responsabilidade social.

Deu para ver que o intercâmbio foi um sucesso! E que conselho vocês dariam a outros estudantes da UNIFAL-MG que tenham interesse em participar de programas de mobilidade internacional, mas ainda tenham receio de se candidatar?

Nathalia Pereira: Não pensem demais, apenas se inscrevam. Essa foi uma das melhores experiências que vivi nos últimos tempos, e sei o quanto teria me arrependido se não tivesse aproveitado essa oportunidade. No meu caso, foram 18 dias na Polônia, mas confesso que gostaria de ter ficado muito mais tempo. Conhecer um novo país, uma nova cultura e vivenciar um curso em uma língua estrangeira faz você sair completamente da sua zona de conforto e se tornar muito mais confiante. É uma experiência que agrega tanto à carreira profissional quanto à trajetória acadêmica e, principalmente, à vida pessoal. Eu fui uma vez e, sem dúvida, iria muitas outras.

Gabriel Cubi: Meu principal conselho é: se candidatem. Muitas vezes nós mesmos criamos barreiras pensando na língua, na distância ou nas dificuldades de viver em outro país. Mas essas dificuldades fazem parte do aprendizado.

Você não precisa se sentir completamente preparado antes de participar. A própria experiência ajuda a desenvolver confiança, independência e comunicação. É uma oportunidade que pode mudar sua visão acadêmica, profissional e pessoal.

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