Projeto da UNIFAL-MG realiza ações extensionistas junto à comunidade indígena Kiriri do Acré, em Caldas/MG, e fortalece o diálogo entre a comunidade e a Universidade

A iniciativa realiza um diagnóstico sociocultural na comunidade e promove atividades de integração
Território Kiriri do Acré, no bairro Rio Verde, em Caldas/MG (fotos: arquivo pessoal).

O professor visitante extensionista da UNIFAL-MG, Gérson Pereira Filho, em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), o Projeto UniDiversidade/Poços de Caldas, a Coordenadoria de Extensão em Poços de Caldas e discentes da Universidade, desenvolve o projeto KIRIRI DO ACRÉ: Diagnóstico sociocultural junto à comunidade indígena Kiriri do Acré, no bairro rural de Rio Verde, município de Caldas/MG. A iniciativa, que começou em janeiro deste ano, apresenta duração de um ano e se encerra em janeiro de 2027.

Visita técnica da UNIFAL-MG à comunidade indígena Kiriri do Acré, realizada como parte das ações do projeto.

A ação objetiva investigar o processo histórico e sociocultural da comunidade indígena Kiriri do Acré e apresentar um diagnóstico, com levantamento de dados que permitam identificar seus principais traços étnicos, religiosos, artísticos, culturais, linguísticos e territoriais. Também busca levantar as principais demandas socioculturais que permitem ações diversas da UNIFAL-MG em conjunto com os indígenas, além de apresentar propostas de atividades da Universidade que contribuam para o atendimento dessas demandas, por meio de seus cursos.

O projeto colabora, assim, para a visibilidade e a preservação da identidade da comunidade, além de possibilitar conhecer e aprender com seus saberes ancestrais e territoriais, ao promover uma integração com a Universidade. De acordo com Gérson Filho, os indígenas são originários geograficamente do estado da Bahia e vive, há décadas, um processo histórico migratório, de resistência, em busca de território onde possa se fixar para garantir a sobrevivência e a preservação étnica e cultural.

“Esta comunidade indígena é constituída por quase uma centena de pessoas distribuídas em algumas dezenas de famílias, e que avança nesse crescimento populacional, com grande número de jovens e crianças”, afirma.

“Ressonâncias Sonoras” – exibição de vídeos no campus Poços de Caldas da UNIFAL-MG,

O professor pontua que, felizmente, apesar das dificuldades e lutas, a comunidade tem avançado na conquista e afirmação de seus direitos e se tornado referência regional e nacional entre os povos indígenas. “Entretanto, muito ainda há a ser realizado, seja no intuito de consolidar a posse da terra, mas, principalmente, no sentido de contribuir para a preservação da identidade cultural, linguística, e suprir as demandas sociais, que a comunidade apresenta, assim como ampliar a visibilidade social destes povos”, ressalta.

Gérson Filho explica que o nome “Kiriri” provavelmente seja derivado da língua tupi e significa “povo calado” ou “povo do silêncio”, enquanto a expressão “Acré” significa “terra farta”. A população Kiriri se fixou no território em 2017. “A comunidade agrega também grupos originários da etnia Pankaru (ou Pankararu). Na região, habita ainda, desde 2001, outra comunidade, os Xucuru-Kariri, oriunda de Alagoas, e que, por motivos similares, veio a ocupar o território, hoje aldeia legitimada pela Funai (Fundação Nacional do Índio)”, complementa.

Ele esclarece que, além das disputas pela posse da terra, os indígenas também enfrentaram outras resistências relacionadas ao convívio social na região, à necessidade de políticas públicas, a adaptações diversas, à educação apropriada e à integração com as populações locais, para a quebra de barreiras, preconceitos e práticas excludentes.

Escola Indígena Ibiramã Kiriri do Acré, em Caldas/MG.

Até o momento, a UNIFAL-MG realizou ações durante as atividades do “Abril Indígena”, visitas técnicas, entrevistas, registros audiovideográficos, além da participação em eventos da comunidade, palestras em escolas, mesa-redonda com o tema “Educação e Cultura Indígena”. A Universidade também sediou a 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos e realizou a exibição de filmes na Escola Indígena Ibiramã Kiriri do Acré, escola da comunidade.

“Pretende-se novas atividades que permitam a vivência e a integração da Universidade junto à comunidade indígena, exposição dos registros e ampliação do diálogo entre saberes e também integração com a Escola Indígena Ibiramã Kiriri do Acré, inclusive na propagação de livros produzidos pela comunidade e outros estudos acadêmicos interinstitucionais em torno daquela realidade”, salienta.

Com as ações, o docente espera o envolvimento significativo do corpo discente e docente da UNIFAL-MG nas atividades desenvolvidas com a população Kiriri; resultados teóricos satisfatórios, por meio da produção de relatórios e de possível artigo científico; resultados práticos, comprovados mediante pesquisa quantitativa e qualitativa de opinião sobre as ações promovidas junto ao público-alvo; e divulgação em veículos de comunicação internos, da própria Universidade, e externos, como jornais, TV e redes sociais da mídia regional.

Evento da comunidade indígena Kiriri do Acré durante o Abril Indígena 2026, promovido pela UNIFAL-MG.

Pressupomos que os impactos sociais do projeto apresentado serão amplamente benéficos tanto para comunidade indígena Kiriri quanto para seu entorno (comunidades rurais de pequenos produtores) e populações urbanas que convivem com os indígenas, assim como benéficas ao poder público local e estadual que possam direcionar políticas públicas em prol da comunidade indígena, que contribuam para a superação dos preconceitos étnicos, a sobrevivência alimentar e habitacional, a valorização das práticas culturais e da diversidade e dos direitos indígenas, o estímulo turístico-cultural e o fortalecimento das lutas pela permanência territorial”, finaliza.

Os discentes interessados em participar das ações extensionistas devem entrar em contato com o professor Gérson Filho pelo e-mail: gerson.filho@unifal-mg.edu.br

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