Com o objetivo de discutir situações recorrentes vivenciadas por mães negras na assistência aos filhos encarcerados, mobilizando contribuições do feminismo negro, uma pesquisa desenvolvida pelo grupo de pesquisa Gênero pela Não Intolerância (Geni), da UNIFAL-MG Campus Varginha, foi apresentada no Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) (XIV Copene), evento vinculado à Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e ao Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (CONNEABs). O evento ocorreu de 28 a 31 de julho de 2026, na Universidade de Brasília (UnB).

O trabalho “Quando o Cárcere Atravessa a Maternidade: A rotina de resistência de mulheres negras, mães de filhos privados de liberdade”, apresentado na sessão temática “Feminismos Negros, Mulherismo Africana e Interseccionalidades”, analisa a narrativa de Flávia, mãe de um jovem privado de liberdade, buscando compreender como o encarceramento do filho reconfigura a experiência da maternidade racializada. A pesquisa é resultado da iniciação científica da discente Rafaella Oliveira Figueiredo, do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia, e foi orientada pela Profa. Dra. Aline Lourenço de Oliveira, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA).
De acordo com a pesquisa, realizada a partir das contribuições de Lélia Gonzalez sobre a maternidade racializada, o conceito não se refere apenas à maternidade exercida por mulheres negras, mas a forma específica de vivenciá-la, marcada pela precarização do trabalho, pela insuficiência da proteção social e pela responsabilização quase exclusiva pelo cuidado. “Nesse contexto, a prisão do filho não constitui a origem da vulnerabilidade, mas intensifica desigualdades historicamente produzidas pelo racismo, pelo patriarcado e pelas relações de classe”, destaca a pesquisadora.

Conforme o estudo, a pesquisa ressalta que o sistema penal desloca para as mães os custos materiais, afetivos e morais da execução da pena. Dessa forma, a violência estatal não se restringe ao corpo encarcerado, mas se expande para a rede familiar por meio do estigma, da sobrecarga do cuidado, do aumento das despesas e da restrição de oportunidades.
Para a orientadora do projeto, Aline Lourenço de Oliveira, o evento foi de grande importância para o fortalecimento do diálogo acadêmico e para a apresentação dos resultados das pesquisas desenvolvidas na Universidade. “Participar do Copene foi uma experiência muito enriquecedora, pois permitiu que eu ampliasse meu conhecimento sobre as produções intelectuais, filosóficas, políticas e culturais dos pesquisadores negros brasileiros e contribuir com o debate nacional, apresentando resultados de uma pesquisa desenvolvida na UNIFAL-MG”, afirma.
A pesquisa, vinculada ao projeto de pesquisa: “Efeitos extrapenais do sistema carcerário em mulheres familiares de apenados da APAC Alfenas-MG”, foi financiada pela Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).
* Ana Clara Oliveira é estagiária de Comunicação Social do Campus Varginha.















