A UNIFAL-MG realizou, no dia 01/04, no Auditório Laudelina de Campos Melo, no campus Poços de Caldas, uma solenidade para homenagear a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal de Poços de Caldas pela aprovação e implementação do meio passe estudantil universitário. O benefício, instituído pela Lei Municipal nº 10.099, de 19 de fevereiro de 2026, e regulamentado pelo Decreto nº 14.965, de 2 de março de 2026, garante a redução do valor da passagem do transporte público para estudantes de instituições federais de ensino superior do município.
A cerimônia marcou a entrega da Moção de Agradecimento aprovada pela Resolução nº 02/2026 do Conselho de Direção do campus Poços de Caldas (CONDIR), que reconhece a atuação do prefeito Paulo Ney de Castro Júnior e do presidente da Câmara Municipal, Douglas Eduardo de Souza, na proposição, aprovação e implementação da política pública.

Compuseram a mesa de honra o reitor da UNIFAL-MG, professor Alessandro Antônio Costa Pereira; a vice-reitora, professora Vanessa Bergamin Boralli Marques; o prefeito Paulo Ney de Castro Júnior; o presidente da Câmara Municipal, Douglas Eduardo de Souza; o diretor do campus Poços de Caldas, professor Leonardo Henrique Soares Damasceno; o diretor do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), professor Rodrigo Sampaio Fernandes; e o presidente do Centro Acadêmico de Ciência e Tecnologia (CIENTEC), José Lúcio Zancan Júnior.
O reitor Alessandro, empossado há poucos dias, destacou que o meio passe é o primeiro grande feito a marcar a nova gestão. “Nós estamos há dez dias no cargo, e esse é o primeiro feito que marca essa gestão”, disse. Para ele, a conquista, fruto de 17 anos de mobilização, carrega lições que vão além do benefício em si. “Isso traz algumas lições: de persistir, de ter paciência, mas também de lembrar que às vezes a gente planta para outros colherem”, refletiu, em referência às gerações de estudantes que lutaram pela causa sem ver o resultado.
O reitor reafirmou que a permanência estudantil é o norte da nova gestão. “A nossa gestão tem um norte, que é a permanência. O aluno precisa acessar para permanecer, senão não adianta”, afirmou. Segundo ele, a medida abre uma perspectiva concreta de recuperação de estudantes que abandonaram seus cursos. “É esperançoso para nós que esses alunos agora possam voltar, aqueles que tiveram que abandonar, para concluir. Outros novos chegarão e poderão permanecer”, declarou. Ao encerrar, o reitor sinalizou a intenção de fortalecer as parcerias com o poder público local: “Quero visitá-la [a Prefeitura] oficialmente, depois também visitar a Câmara de Vereadores. Que tenham esse bom compromisso com relação à educação. Isso garante um futuro melhor, um futuro maior.”

A vice-reitora Vanessa Bergamin Boralli Marques reforçou o compromisso da nova gestão com a trajetória completa do estudante, da entrada à conclusão do curso. “Nós tivemos uma expansão de número de vagas nas universidades, mas esses alunos que ingressam com condições de risco de desistência precisam de um apoio”, disse. Para ela, a operacionalização do meio passe pelo poder público municipal, após 17 anos de reivindicação, não pode ser subestimada. “Esse apoio foi operacionalizado pela sua gestão. É muito simples, mas não é tão simples assim. Se fosse, outros teriam feito”, afirmou, dirigindo-se ao prefeito.
A professora Vanessa destacou ainda que o benefício vai além do alívio financeiro imediato, conectando-se a um objetivo maior de transformação social. “Nós precisamos oportunizar o aluno a permanecer na universidade, mas concluir a sua trajetória com sucesso, para que ele ingresse no mercado de trabalho e mude a história da família dele”, completou.

O impacto na vida dos estudantes
Durante os pronunciamentos, os números apresentados pelo presidente do CIENTEC, José Lúcio Zancan Júnior, deram a dimensão real do peso financeiro do transporte na vida dos universitários. Segundo ele, estudantes que recebem o auxílio permanência de R$ 700,00 por mês chegavam a gastar cerca de R$ 300,00 apenas com o deslocamento ao campus — R$ 12,00 por dia, somando R$ 264,00, podendo ultrapassar os R$ 300,00 quando havia atividades extras. Considerando que a moradia mais barata em república custa entre R$ 350,00 e R$ 400,00, esses alunos já ficavam no zero ou no negativo, sem margem para alimentação, medicamentos ou qualquer imprevisto.
“Esse aluno escolheu entrar na universidade pública federal, escolheu acreditar que a educação pode mudar a trajetória dele e da família dele. Essa escolha merece ser respeitada por políticas concretas”, declarou Zancan Júnior, que também reconheceu a luta histórica do movimento estudantil, iniciada pelo menos em 2012.

O diretor do campus, professor Leonardo Henrique Soares Damasceno, ampliou a reflexão ao contextualizar o impacto do meio passe para a realidade dos estudantes cotistas. “Metade das vagas da universidade pública são reservadas para estudantes do ensino público. Jovens que, em sua maioria, são os primeiros de suas famílias a pisar numa sala de aula do ensino superior. Para esses estudantes, cada real economizado é um passo a mais em direção ao diploma e à transformação de suas histórias”, afirmou. Para ele, o meio passe não é apenas uma política de transporte, mas de permanência, inclusão e ascensão social.
Damasceno também destacou o significado institucional da conquista: “Quando o Poder Executivo Municipal, o Poder Legislativo e a Universidade caminham juntos, quem ganha é a população de toda a região.” Ele expressou o desejo de que o exemplo inspire outros gestores a enxergarem na educação não uma despesa, mas o mais inteligente e generoso dos investimentos.
O diretor do Instituto de Ciência e Tecnologia, professor Rodrigo Sampaio Fernandes, que acompanhou a luta desde o início, classificou a conquista como um incentivo direto à permanência estudantil. “Essa importante conquista representa mais do que um benefício financeiro”, afirmou, destacando que, apesar de ser uma grande vitória, há muito ainda a ser conquistado pelo campus e pelos seus estudantes.
Poder público celebra parceria com a Universidade

O presidente da Câmara Municipal, Douglas Eduardo de Souza, relatou que a homenagem surpreendeu os parlamentares. “É raro a gente ser chamado para uma questão de gratidão”, disse, destacando que a iniciativa motiva o legislativo a continuar no caminho certo. Douglas ressaltou o trabalho do vereador Lucas Arruda, que tem o meio passe como uma de suas bandeiras desde 2017, e reafirmou o compromisso da Câmara com políticas públicas voltadas à educação.
O prefeito Paulo Ney de Castro Júnior, por sua vez, revelou os bastidores da negociação que tornou o benefício possível. Segundo ele, o valor real da passagem de ônibus na cidade é de R$ 8,40, mas sua gestão manteve o preço em R$ 6,00 por meio de subsídios. Com a aprovação do projeto pela Câmara, foi possível negociar com a operadora do transporte público e reduzir a tarifa para R$ 5,00 com o meio passe. O prefeito recordou que, já em agosto de 2024, em visita ao campus, recebeu a demanda como prioridade da universidade. “Tem alunos deixando de frequentar a universidade por conta do valor da passagem. Muitas vezes deixando de almoçar, de se alimentar por conta que tem que bancar o valor da passagem”, afirmou, recordando palavras da gestão anterior da UNIFAL-MG.
Paulo Ney também ressaltou a importância estratégica da Instituição para o desenvolvimento econômico de Poços de Caldas, citando a relação entre a formação oferecida pelos cursos do campus e a atração de novos investimentos para a cidade, incluindo o setor de terras raras. “Se a gente não tivesse mão de obra qualificada, se não tivesse as universidades da nossa cidade, tenho certeza que a cidade não iria estar prosperando da forma que está”, declarou.
Assistência estudantil para além dos muros da Universidade

Para a pró-reitora de Assuntos Comunitários e Estudantis (PRACE), Cláudia Tevfik Gomes, o meio passe representa a consolidação do que ela chama de “assistência estudantil extramuros”. Segundo a pró-reitora, a permanência não se resume ao que acontece dentro do campus, tendo relação direta com a infraestrutura da cidade. “Ao assumir o subsídio do transporte, o município de Poços de Caldas reconhece que o estudante é, antes de tudo, um cidadão com direito à cidade”, explicou.
A professora Cláudia destacou que o transporte é um dos gargalos da permanência, por ser um custo individual, fixo e inadiável. Embora a universidade ofereça o Auxílio Permanência por meio do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), os recursos são limitados e insuficientes para cobrir todas as despesas básicas dos estudantes. Nesse contexto, a pró-reitora avalia que a contrapartida municipal é decisiva, pois o custo do deslocamento diário funciona como um “dreno financeiro” capaz de neutralizar o impacto dos auxílios oferecidos pela universidade.
A pró-reitora ainda adiantou que a expectativa é de que essa experiência bem-sucedida em Poços de Caldas possa ser replicada nos municípios de Alfenas e Varginha, onde a UNIFAL-MG também mantém campi.

Kênia Eliber Vieira, da Coordenadoria de Relações Comunitárias e Interseccionalidades (CRCI-CACE-PC), reforçou que a questão do transporte aparece de forma recorrente entre as demandas acompanhadas pela assistência estudantil. “O meio passe responde a uma demanda histórica e concreta, configurando-se como uma importante estratégia de apoio à permanência e ao sucesso acadêmico”, afirmou. Segundo ela, a localização afastada do campus em relação ao centro da cidade torna o deslocamento especialmente dependente do transporte público, e a redução de custos promove maior equidade no acesso, possibilitando que estudantes participem de atividades de ensino, pesquisa e extensão com mais regularidade.
O estudante João Victor Marcondes Machado, que utiliza o transporte público desde o início da graduação, celebrou a conquista. “Ver essa conquista é algo realmente muito positivo, pois contribui diretamente para a redução de custos e para a permanência nos estudos”, relatou. Segundo ele, o valor que antes era de R$ 12,00 por dia passou para R$ 5,00 com o meio passe, podendo ser utilizado duas vezes ao dia. João Victor contou que o processo de cadastro foi rápido, levando cerca de 20 minutos, com atendimento atencioso e orientações claras.
Como solicitar o meio passe
Para realizar o cadastro no meio passe estudantil, o estudante deve comparecer pessoalmente ao local de atendimento da Floramar, na Av. Francisco Salles, 279, com os seguintes documentos: declaração escolar atual, declaração de horários de aula, comprovante de pagamento da primeira mensalidade, RG original, CPF original, certidão de nascimento (caso não possua identidade), comprovante de endereço em nome do estudante, pais ou responsável legal com validade de 30 dias, além de documento original dos pais ou responsável, se o estudante for menor de idade. A presença do aluno é obrigatória.
Fotos: Luciana Resende (Dicom/UNIFAL-MG)






































