UNIFAL-MG promove ação educativa na Feira Livre de Alfenas em alusão ao Dia Mundial da Segurança dos Alimentos

Iniciativa reuniu docentes e discentes de Farmácia, Medicina e Nutrição para promover orientações sobre boas práticas de manipulação e triagem de saúde junto à comunidade local

Atualizado em 19/06/2026 09:20

Ação multidisciplinar foi idealizada para celebrar o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos. (Foto: Arquivo Pessoal/Ramon Alves)

A UNIFAL-MG realizou, no dia 14 de junho, uma ação extensionista interdisciplinar na Feira Livre de Alfenas (MG). O evento reuniu pesquisadores, estudantes dos cursos de Farmácia, Medicina e Nutrição, além de profissionais da saúde e membros da comunidade local, no espaço da feira. A iniciativa teve como objetivo promover a integração entre ciência e prática cotidiana, por meio da divulgação de conhecimentos sobre a segurança dos alimentos e a prevenção de doenças.

Idealizado pelo farmacêutico Ramon Alves de Oliveira Paula e coordenado em parceria com as professoras Ana Lúcia Leite Moraes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), e Camilla Ribeiro Vieira Marques, da Faculdade de Nutrição (FANUT), o evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Alfenas e da Secretaria de Saúde. A programação estendeu-se durante toda a manhã, focada em transformar dados globais sobre o impacto de alimentos inseguros em ações práticas e educativas para a população local.

Ramon Alves é farmacêutico e idealizador da ação. (Foto: Ramon Alves)
Angélica Rosa Faria é docente e coordenadora do curso de Farmácia. (Foto: Ramon Alves)

Segundo o idealizador Ramon Alves, a ação representa um espaço de construção coletiva do conhecimento e de fortalecimento dos vínculos entre a Universidade e a sociedade. “O conhecimento científico só cumpre seu papel social quando sai dos muros da universidade e se encontra com as pessoas nos seus próprios espaços. Ver a extensão universitária funcionando em sua melhor forma é transformar aprendizado em saúde concreta para a comunidade”, ressalta.

Angélica Rosa Faria, coordenadora do curso de Farmácia, complementa que a realização de eventos extensionistas é fundamental para a formação acadêmica e cidadã. “Essas iniciativas promovem o diálogo entre a universidade e a sociedade, permitindo que os alunos compartilhem conhecimentos adquiridos em disciplinas como Bromatologia e Microbiologia de alimentos em uma das áreas estratégicas de atuação do farmacêutico”, diz.

As atividades foram compostas por um ciclo de orientações que debateu temas fundamentais para a saúde pública, como o controle de resíduos de agrotóxicos e medicamentos veterinários, a prevenção de doenças transmitidas por alimentos (DTAs) e as boas práticas de manipulação e armazenamento. Complementando a formação cidadã, a ação promoveu uma triagem de saúde com aferição de pressão arterial e medição de glicemia capilar, atendendo cerca de 200 pessoas e identificando casos que necessitavam de encaminhamento aos serviços de saúde.

Ana Lúcia Leite Moraes é diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas. (Foto: Ramon Alves)

Para a docente Ana Lúcia Leite Moraes, diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, o farmacêutico possui formação técnico-científica sólida para atuar na área de alimentos, incluindo análises, controle de qualidade, vigilância sanitária e desenvolvimento de alimentos funcionais e nutracêuticos. “Iniciativas como esta são, portanto, essenciais para ampliar a visibilidade dessas competências profissionais, estreitar os laços entre a universidade e a sociedade, bem como reafirmar que a ciência de alimentos se coloca, integralmente, a serviço da saúde pública”, destaca.

Camilla Ribeiro Vieira Marques é docente da Faculdade de Nutrição. (Foto: Ramon Alves)
Sandra Maria Oliveira Morais Veiga é coordenadora de extensão de Farmácia. (Foto: Ramon Alves)

De acordo com a professora Camilla Ribeiro Vieira Marques, da Faculdade de Nutrição, a receptividade do público e a riqueza da abordagem interdisciplinar foram os grandes destaques. “Foi muito interessante observar o interesse por temas como o armazenamento correto e o descongelamento seguro dos alimentos. A integração de diferentes áreas possibilita uma abordagem mais ampla das necessidades da população”, pontua.

A docente Sandra Maria Oliveira Morais Veiga, coordenadora do projeto de extensão “Higiene e Segurança de Alimentos”, expressou a gratificação da equipe com o alcance da iniciativa. “O retorno dos alunos e da comunidade nos emocionou: eles relataram que a vivência contribuiu para a formação deles em múltiplas dimensões: acadêmica, cidadã, ética e humana. Estar próximo da comunidade nos permite compreender melhor as suas reais necessidades”, finaliza.

Sobre a experiência dos estudantes envolvidos

Manuella Ferreira Candiotto Nicacio é graduanda do 7º período de Nutrição. (Foto: Ramon Alves)
Beatriz Ferraro é graduanda do 8º período de Farmácia. (Foto: Ramon Alves)

Beatriz Ferraro, graduanda do 8º período de Farmácia e presidente do projeto “Higiene e Segurança dos Alimentos”, ressaltou a importância de conscientizar a população sobre riscos invisíveis. “Muitas pessoas ainda não realizam a higienização adequada dos alimentos e desconhecem os riscos microbiológicos associados ao consumo de alimentos contaminados”, afirma.

Manuella Ferreira Candiotto Nicacio, graduanda do 7º período de Nutrição, valorizou a troca de saberes proporcionada pelo contato direto com a população. “Participar dessa ação foi uma experiência muito enriquecedora e gratificante. Pudemos compartilhar conhecimentos e, ao mesmo tempo, ouvir as experiências e dúvidas das pessoas”, relata.

Sobre o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos

O Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, instituído em 2018 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), teve como tema em 2026 “From burden to solutions: safe food everywhere” (“Da dificuldade à solução: alimentos seguros em todos os lugares”). Este apelo global convida governos, organizações, cientistas e cidadãos a converterem os alarmantes dados sobre o impacto das doenças transmitidas por alimentos em intervenções focadas e baseadas em evidências. Em todo o mundo, mais de 860 milhões de pessoas adoecem e 1,5 milhão morrem anualmente em decorrência de alimentos inseguros, gerando perdas estimadas em 310 bilhões de dólares em produtividade somente em 2021, conforme relatório da OMS.

Sobre a proposta da ONU

A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU — em especial ao ODS 2 (Fome zero e agricultura sustentável), ODS 3 (Saúde e bem-estar) e ODS 17 (Parcerias e meios de implementação) —, contribuindo para a construção de sistemas alimentares mais seguros, justos e sustentáveis.

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