Quem se interessa por comunicação pública, transparência e participação social encontra no livro Comunicação Pública em âmbito municipal: o uso de plataformas de mídia social na interface entre Estado e sociedade, de Agnaldo Montesso, egresso da UNIFAL-MG, uma boa referência para compreender os usos e os limites das redes sociais na relação entre prefeituras e cidadãos.

Recentemente lançada pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), a obra é resultado da dissertação defendida pelo autor no Mestrado Profissional em Administração Pública em Rede Nacional (Profiap) da UNIFAL-MG, oferecido no campus Varginha. O livro foi lançado nesta quarta-feira (16/09), no Espaço Mário Covas da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), durante o 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública.
A pesquisa que deu origem à obra buscou compreender em que medida a presença dos governos municipais nas plataformas digitais pode ser considerada, de fato, uma prática de comunicação pública.
Para o mapeamento, Agnaldo Montesso analisou 6.203 postagens publicadas no Facebook e no Instagram por 16 prefeituras da microrregião de Varginha, no Sul de Minas, entre outubro e dezembro de 2021. O trabalho também reuniu informações sobre as estruturas e os profissionais responsáveis pela comunicação pública nos municípios.
“O estudo mostrou que Facebook e Instagram apresentam potencial para ampliar o acesso à informação, favorecer a prestação de contas e criar espaços de interação, mas também podem reproduzir modelos predominantemente unidirecionais, voltados à divulgação das ações governamentais e pouco abertos à escuta e ao diálogo”, relata o autor.
No livro, Armando Medeiros de Faria, vice-presidente de Coordenação Regional da ABCPública e autor do primeiro prefácio, assinala que, embora as prefeituras tenham adquirido capacidade de falar diretamente com a população, essa possibilidade técnica ainda não se converteu, na mesma proporção, em capacidade institucional de ouvir, responder e se aproximar dos cidadãos. “Presença nas redes não significa, por si só, comunicar bem”, afirma.

A professora Carla Leila Oliveira Campos, docente do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) da UNIFAL-MG e orientadora da dissertação, é quem assina o segundo prefácio, no qual destaca a articulação entre a produção acadêmica e os problemas concretos da gestão pública.
Conforme descreve, o estudo “parte de uma questão concreta da administração pública municipal, submete-a aos procedimentos da investigação científica e produz, como resultado, conhecimento aplicável à realidade da gestão pública.”
Para Carla Campos, uma das principais contribuições da obra está justamente na aproximação entre Comunicação e Administração Pública. Segundo argumenta, a comunicação não deve ser compreendida como atividade periférica ou meramente operacional, mas como elemento relacionado à transparência, à prestação de contas, ao acesso à informação, à participação social e à construção de vínculos entre instituições públicas e cidadãos.
Além do livro, a pesquisa deu origem ao Manual de Recomendações para a Comunicação Pública nas Plataformas de Mídia Social, desenvolvido como Produto Técnico-Tecnológico associado à dissertação. O manual ficou entre os dez produtos mais bem avaliados do país pela Rede Profiap.

Com um recorte regional e discussões aplicáveis a diferentes contextos municipais, a obra constitui uma leitura especialmente útil para gestores, comunicadores, pesquisadores e servidores interessados em transformar as plataformas digitais em canais não apenas de divulgação, mas também de informação, prestação de contas, escuta e participação social.
Com 126 páginas, o livro está disponível gratuitamente em formato digital e pode ser acessado na íntegra neste link.
Agnaldo Montesso dá continuidade às pesquisas na área no doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo (USP), sob orientação do professor Eugênio Bucci.















