Grupo GENI da UNIFAL-MG apresenta pesquisa sobre os impactos do encarceramento na vida de mulheres em Congresso latino-americano

Santiane Arias, pesquisadora do Grupo de Pesquisa GENI da UNIFAL-MG, durante apresentação do trabalho no Congresso (fotos: arquivo pessoal).

Entre os dias 26 e 31/07, o Grupo de Pesquisa de Gênero pela Não Intolerância (GENI) da UNIFAL-MG participou do XXXV Congresso da Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS). Durante o evento, as professoras e pesquisadoras da UNIFAL-MG Santiane Arias, Aline Oliveira, Cilene Pereira e Fernanda Onuma, integrantes do Grupo, apresentaram parte dos resultados da pesquisa coletiva “Efeitos Extrapenais para Mulheres Familiares de Pessoas em Situação de Cárcere”, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). O evento foi realizado no Rio de Janeiro/RJ, com atividades sediadas na UFRJ e na UNIRIO.

Pesquisadoras de outras universidades participam do debate sobre o trabalho “Política penal e gênero: efeitos do cárcere sobre as mulheres fora da prisão”.

O trabalho intitulado “Política penal e gênero: efeitos do cárcere sobre as mulheres fora da prisão” foi apresentado no dia 31/07, na sessão “Género y Políticas Públicas”, do Grupo de Trabalho 11 – “Género y Feminismos”, coordenado pelas professoras Montserrat Sagot, da Universidad de Costa Rica; Fidelina de la Rosa, da Universidad Autónoma de Santo Domingo, República Dominicana; e Valentina Perrotta, da Universidad de la República (UDELAR), Uruguai.

“A participação no congresso possibilitou a socialização dos resultados da pesquisa em um espaço de diálogo acadêmico latino-americano, fortalecendo as discussões sobre os impactos da política penal e do encarceramento na vida das mulheres familiares de pessoas em situação de cárcere”, afirma Santiane Arias.

A docente relata que, ao longo do segundo semestre de 2025, o Grupo conversou com 16 mulheres com familiares em situação de cárcere, residentes em cidades do Sul de Minas Gerais: Varginha, Três Corações, Campanha, Pouso Alegre e Campos Gerais. “Elas foram contatadas por meio de ações de extensão desenvolvidas em parceria com os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e com a Associação Andorinhas Unidas, formada por familiares de pessoas privadas de liberdade e voltada à defesa dos direitos da população em cárcere”, declara.

A professora complementa que, no traballho, foi sintetizado parte do material coletado, compartilhadas questões, hipóteses e pistas analíticas que emergiram do encontro com essas mulheres. Ela explica que o encarceramento de companheiros, filhos, irmãos ou pais impacta, sem dúvida, a família. O cárcere, contudo, não surge como um fenômeno ex nihilo, responsável por provocar diretamente todas as fendas existentes em uma estrutura que demanda enorme energia para se reproduzir. Antes, intensifica as dificuldades já presentes, adicionando novas camadas de sofrimento e aprofundando as vulnerabilidades preexistentes.

“O cárcere parece operar como uma “pá de cal” sobre existências marcadas por sucessivas rupturas, tornando ainda mais pesados os esforços cotidianos para sustentar a vida, como relata uma das entrevistadas: ‘Eu falo por experiência, porque eu não vivo, eu vegeto, entendeu? Muitas das vezes eu tô de pé, porque aquele lá de cima me carrega’. Em meio a tantas descontinuidades, a fé emerge como um dos poucos elementos de permanência. Longe de poder ser compreendida apenas por uma chave conservadora, ela aparece nas narrativas dessas mulheres como um recurso para atribuir sentido à experiência, elaborar o sofrimento e sustentar a continuidade da vida diante das inúmeras fraturas acumuladas ao longo do tempo”, finaliza a pesquisadora.

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