Familiares e amigos de 37 formandos dos cursos do campus Varginha da UNIFAL-MG se reuniram no Theatro Municipal Capitólio, em Varginha, na noite desta quarta-feira, 19 de agosto, para acompanhar de perto a conquista acadêmica dos estudantes que encerraram a graduação na Universidade. A solenidade, presidida pelo reitor da UNIFAL-MG, o professor Alessandro Antonio Costa Pereira, reuniu concluintes dos cursos de: Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia (BICE), Administração Pública, Ciências Atuariais, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas.
A cerimônia foi marcada por momentos de emoção, homenagens e reflexões sobre os diferentes caminhos percorridos até a conclusão da graduação, além dos compromissos assumidos pelos novos profissionais diante da sociedade.
Cerimônia reuniu trajetórias construídas em diferentes contextos. (Foto: Daniel Reis/MStar Formaturas)

Na cerimônia, Lara Lais dos Santos Lino, formanda do BICE, realizou o juramento coletivo. Em nome das turmas, reafirmou compromissos relacionados à ética, à liberdade, à diversidade, à defesa dos direitos humanos e à atuação profissional voltada à construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
O reitor realizou a outorga dos graus aos concluintes, na sequência, oportunidade em que a bacharel em Ciências Econômicas, Maria Eduarda Horta Arruda, representou simbolicamente os formandos, recebendo o capelo das mãos do reitor – ato que marca oficialmente aos concluintes o título de bacharéis nas respectivas áreas.
A cerimônia também contou com homenagens aos professores Vinicius de Souza Moreira, paraninfo do BICE; Fabiane Fidelis Querino, paraninfa dos cursos específicos; Maria Aparecida Curi, homenageada do BICE; Hugo Lucindo Ferreira, homenageado dos cursos de Administração Pública, Ciências Atuariais, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas; e à servidora técnica Jacqueline Aparecida Silva.
Durante a solenidade, Antônio Carlos Sousa Uchôa recebeu o “Prêmio Professor Leonardo Henrique Costa”, concedido pelo Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) ao formando com melhor desempenho no curso de Ciências Atuariais. Nesta edição, o Núcleo Docente Estruturante do curso decidiu dar o nome do professor à premiação em reconhecimento à sua contribuição para a formação dos estudantes e para o fortalecimento da profissão de atuário.
(Fotos: Daniel Reis/MStar Formaturas)
Conhecimento, escolhas e responsabilidade

Representando os formandos, o bacharel em Administração Pública Ulisses Silva Oliveira foi o orador da solenidade. Em sua fala, destacou que a chegada à formatura é resultado de experiências e desafios que começaram muito antes da cerimônia. Ulisses Oliveira chamou atenção para as diferentes condições enfrentadas pelos estudantes ao longo da graduação, inclusive por aqueles que precisaram deixar suas cidades, estados ou países.
“Esse campus carrega histórias muito diversas. De quem chegou cheio de expectativas e incertezas. De quem veio de longe. E de quem chegou carregando desafios”, afirmou. Ao falar sobre a formação em uma universidade pública, Ulisses também ressaltou a responsabilidade de utilizar o conhecimento adquirido para além da trajetória individual.

O paraninfo do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia, professor Vinicius de Souza Moreira, destacou que a formação interdisciplinar não oferece respostas prontas para todos os problemas, mas contribui para que os estudantes aprendam a formular perguntas, analisar situações por diferentes perspectivas e compreender as relações entre ciência, economia e sociedade.
A paraninfa dos cursos de Administração Pública, Ciências Atuariais, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas, professora Fabiane Fidelis Querino, relacionou a formação técnica à dimensão humana das profissões.

Segundo ela, os anos de Universidade proporcionaram aos estudantes conhecimentos sobre números, organizações, economia, políticas públicas, riscos e tomada de decisões, mas também deixaram uma responsabilidade que ultrapassa esses conteúdos.
“Por trás de praticamente todos esses números existem pessoas. E talvez essa seja uma das maiores responsabilidades que vocês levarão daqui”, ressaltou.

O diretor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), professor Manoel Vitor de Souza Veloso, reforçou em seu pronunciamento a necessidade de articular conhecimento técnico, sensibilidade e compromisso social.
Para ele, a formação nas Ciências Sociais Aplicadas deve contribuir para que os novos profissionais analisem criticamente a realidade, valorizem a diversidade e considerem os efeitos de suas escolhas na sociedade.
Ao se dirigir aos formandos, a diretora do campus Varginha, professora Gislene Araújo Pereira, destacou que a formação recebida na Universidade é resultado de um esforço coletivo.

“Onde quer que estejam daqui para frente, em Varginha, no Sul de Minas, em outras regiões do Brasil ou fora dele, lembrem-se de que a formação que receberam aqui é fruto de um esforço coletivo sustentado pela sociedade brasileira”, afirmou.

O reitor Alessandro Antonio Costa Pereira retomou os compromissos expressos no juramento e ressaltou a ética, o respeito à diversidade e aos direitos humanos, além da responsabilidade dos novos profissionais diante das desigualdades sociais.
“Vocês estão aptos a contribuir para o desenvolvimento do país e para a erradicação da pobreza, da marginalização e das desigualdades. Tenham como objetivo máximo construir uma sociedade livre, justa e solidária. Assim, serão felizes”, expressou.
Também compuseram a mesa de honra os coordenadores e representantes dos cursos do campus Varginha: Lincoln Thadeu Gouvêa de Frias, do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia; Virgínia Donizete de Carvalho, de Administração Pública; Larissa Gonçalves Souza, de Ciências Atuariais; João Paulo de Brito Nascimento, de Ciências Contábeis; e Ana Marcia Rodrigues da Silva, coordenadora em exercício de Ciências Econômicas.
Formação que atravessa fronteiras

As diferentes trajetórias lembradas ao longo da cerimônia ganham dimensão concreta na história de Mario da Silva, que deixou Guiné-Bissau para estudar no Brasil.
O estudante ingressou na UNIFAL-MG em fevereiro de 2021, como integrante do primeiro grupo do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) recebido pela Universidade. Parte de sua formação começou ainda de forma remota e, desde então, o percurso até a cerimônia passou pela mudança de país, pela adaptação à vida em Varginha e pela conclusão de duas etapas acadêmicas.
Para o guineense, durante o período em que acompanhou atividades remotamente, ele procurava professores e colegas para saber mais sobre o país e, principalmente, sobre Varginha, bem como sobre os costumes locais e a convivência cotidiana.
As informações ajudaram a formar uma primeira imagem da realidade que encontraria, mas não eliminaram os desafios da adaptação. Segundo ele, a convivência a distância durante a pandemia era diferente daquela que encontrou quando passou a frequentar presencialmente a Universidade, e estabelecer vínculos no novo país exigiu tempo, o que a vivência pouco a pouco proporcionou.
Conforme narra, a experiência também ampliou suas relações. Mario conta que fez amizades com estudantes de diferentes estados e percebeu que, apesar das diferenças, outras pessoas também vivenciavam a distância de casa, da família e de suas referências.
“Hoje diria em voz alta que é possível se adaptar sem perder os seus valores, princípios e educação familiar”, afirmou. Para ele, essa adaptação envolveu conhecer gírias, aprender formas de comunicação e compreender melhor os costumes locais. Ao mesmo tempo, o estudante relata que teve oportunidades de compartilhar com os colegas aspectos da cultura de Guiné-Bissau, suas perspectivas e diferenças em relação ao Brasil.
A trajetória acadêmica também ocorreu em etapas. Mario concluiu o Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia em agosto de 2025 e, um ano depois, voltou à cerimônia de colação para receber o grau em Ciências Atuariais. A área era desconhecida por ele antes da graduação. O interesse surgiu a partir das possibilidades profissionais e da relação das Ciências Atuariais com setores como previdência social, seguros e investimentos, campos que, segundo o próprio formando, apresentam demandas em diferentes países africanos.

“Era um curso desconhecido para mim. Quando comecei a estudar as matérias, percebi que era difícil, mas possível de fazer e poderia abrir muitas portas para mim”, relatou. Mario acrescenta que o incentivo de professores contribuiu para que acreditasse na escolha e buscasse aprofundar a formação, com a intenção de atuar em Guiné-Bissau ou em outros lugares onde surgirem oportunidades profissionais.
O estudante também recorda dificuldades enfrentadas para permanecer na graduação. Segundo ele, recebeu auxílio da Universidade que permitiu maior dedicação às disciplinas e contou com mobilização institucional para preservar sua vaga após a chegada tardia ao Brasil.
Ao olhar para o início da trajetória, Mario lembra que trouxe consigo não apenas um projeto acadêmico, mas também o sentimento de responsabilidade diante das pessoas que acreditavam em sua formação. “Viemos com peso como se fosse compromisso de uma missão que temos que completar a qualquer custo”, contou.
Com a conclusão do curso, essa percepção mudou. Segundo o formando, as dificuldades, a saudade de casa e o medo de fracassar fizeram parte do percurso, mas a experiência também lhe mostrou a importância de viver as oportunidades construídas durante os anos no Brasil.

Representar Guiné-Bissau na cerimônia acrescentou outro significado ao momento. “É uma alegria enorme e muita satisfação por ter chegado até aqui. Levar o nome do país nesse cenário é mais que um orgulho, faz me lembrar quem sou e de onde vim e os meus objetivos aqui”, declarou. De acordo com Mario, seus familiares receberam com felicidade a notícia da conclusão do curso.
Nos próximos anos, Mario pretende atuar profissionalmente na área, adquirir experiência e, posteriormente, cursar mestrado. Ao comparar o estudante que chegou ao Brasil com aquele que conclui agora a segunda etapa da formação, resume uma mudança de perspectiva: “Agora consigo pensar um pouco diferente, que tudo depende de nós e das nossas escolhas, nós que sonhamos e corremos atrás e vale a pena viver cada minuto dessa experiência aqui.”
A experiência do novo profissional das Ciências Atuariais, formado pela UNIFAL-MG, também integra um movimento mais amplo de internacionalização da Instituição. A Universidade começou a receber estudantes do PEC-G em 2021, quando chegaram quatro participantes do programa, entre eles Mario. Atualmente, são 36 estudantes vinculados ao PEC-G e mais de 50 estudantes internacionais na Instituição.
O Programa de Estudantes-Convênio de Graduação oferece vagas gratuitas para a realização de cursos completos de graduação no Brasil a estudantes estrangeiros de países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas. Saiba mais aqui
(Fotos: Daniel Reis/MStar Formaturas)




























