Do sistema prisional aos impactos ambientais associados à infraestrutura digital, dois verbetes publicados na obra Glossário para a cidade do nosso futuro com esperança abordam questões que atravessam as dinâmicas urbanas contemporâneas. Os textos contam com a participação de servidores da UNIFAL-MG e integram a obra lançada em 30 de junho de 2026 pela Rio Books, editora especializada em arquitetura, design, artes e história. Ao todo, a publicação reúne 61 artigos e verbetes.

O verbete Complexo Industrial Penal como negócio da cidade: A Liberdade é uma Luta Constante discute a presença dessa estrutura punitiva na paisagem urbana e sua configuração como negócio. O texto é de autoria de Janaina de Mendonça Fernandes, professora do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), do campus Varginha.
Já A inteligência artificial, a energia e a água, que aborda o consumo de água pelos data centers, é de autoria de Wagner Roberto Dias Nascimento, analista de tecnologia de informação da Coordenadoria de Tecnologia da Informação, do campus Poços de Caldas.
A obra é organizada e editada por Thereza Christina Couto Carvalho, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), e conta com contribuições de pesquisadores, professores, artistas e consultores de diferentes instituições no mapeamento conceitual das relações entre cidade, natureza e sociedade.
Segundo a professora Janaina Fernandes, o Glossário para a cidade do nosso futuro com esperança dá continuidade ao Pequeno Glossário Ilustrado de Urbanismo, publicado em 2021. “Ambos procuram informar e instrumentar o debate sobre a produção da cidade em que vivemos, sempre em construção, que tanto nos afeta”, comenta.

A diferença entre os dois, conforme a pesquisadora, está na abordagem sobre as mudanças climáticas que desde então estão a ocorrer. “Ao rever conceitos, o ‘Glossário para a cidade do nosso futuro com esperança’ propõe contribuir para uma nova agenda governamental inovadora e sustentável e que inclua a todos”, aponta.
Janaina Fernandes também pontua que a proposta é que o glossário sirva de guia para a arquitetura por alguns anos.
“O verbete ‘Complexo Industrial Penal como negócio da cidade: A Liberdade é uma Luta Constante’, de minha autoria, explica aos arquitetos de hoje e do futuro do que se trata essa nova estrutura punitiva que invade a nossa paisagem urbana”, diz.

A participação de Wagner Nascimento no glossário, com o verbete A inteligência artificial, a energia e a água, surgiu de reflexões relacionadas às suas pesquisas sobre inteligência artificial e racismo. Durante uma reunião do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI), o servidor abordou como o consumo intensivo de água e energia por data centers pode afetar populações de forma desigual e aprofundar vulnerabilidades já existentes.
Ao saber que a organizadora da obra, Thereza Carvalho, pretendia incluir essa discussão no glossário, a professora Janaina Fernandes indicou o nome de Wagner. A partir do convite, ele e Thereza conversaram sobre a proposta do verbete, a abordagem crítica e o formato do texto.
“Os impactos não se limitam aos vieses algorítmicos no código e no software: eles se manifestam de forma contundente na escolha dos territórios destinados a abrigar essas infraestruturas de grande porte e das populações diretamente afetadas”, afirma Wagner Nascimento.

Segundo o servidor, sua formação acadêmica e a experiência profissional em data centers contribuem para uma abordagem da inteligência artificial que ultrapassa os sistemas e algoritmos. Wagner Nascimento é graduado em Computação, especialista em Gestão Estratégica de Tecnologia e em História da África e da Diáspora Atlântica, além de mestre em Educação, Ambiente e Sociedade.
O livro é uma boa dica de leitura para pesquisadores dedicados às relações entre cidade, natureza e sociedade, além de gestores públicos e pessoas interessadas nas dinâmicas urbanas do século XXI.
Para adquirir a obra, os interessados podem acessar o site da editora Rio Books, disponível neste link.














