Crianças de 7 a 9 anos apresentam sintomas elevados de ansiedade em estudo com grupo de participantes do Sul de Minas

Resultados de pesquisa desenvolvida no curso de Enfermagem em uma instituição filantrópica podem apoiar a identificação de necessidades de cuidado

Atualizado em 07/10/2026 12:04

Imagem ilustrativa. (Foto: Canva Education)

Às vésperas do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, uma pesquisa desenvolvida no curso de Enfermagem da UNIFAL-MG chama a atenção para o cuidado com a saúde mental na infância: cerca de quatro em cada dez participantes apresentaram sintomas elevados de ansiedade. O resultado corresponde a 43,9% das 41 crianças de 7 a 9 anos avaliadas, atendidas por uma instituição filantrópica do Sul de Minas que acolhe famílias em situação de vulnerabilidade social.

Autoras do estudo: Carolyne Sena Oliveira, Sueli de Carvalho Vilela (orientadora) e Jéssica Helen Soares. (Foto: Arquivo Pessoal)

A pesquisa integra o trabalho de conclusão de curso de Carolyne Sena Oliveira e Jéssica Helen Soares, realizado sob orientação da professora Sueli de Carvalho Vilela (Escola de Enfermagem).

No trabalho, as acadêmicas reuniram informações sobre os sintomas relatados pelas crianças e a consistência das respostas obtidas com a versão brasileira da Escala de Ansiedade Infantil de Spence, conhecida como SCAS-Brasil.

Entre as 91 crianças matriculadas na instituição, foram selecionadas aquelas com idades entre 7 e 9 anos, faixa etária contemplada pelas tabelas de referência da escala utilizada na pesquisa. Inicialmente, 45 crianças atenderam aos critérios de participação e tiveram autorização dos responsáveis. Após quatro perdas, o estudo contou com 41 participantes.

Segundo as autoras, 18 participantes do grupo apresentaram pontuações classificadas como elevadas. Esse resultado, porém, não confirma a presença de um transtorno.

“Ficar acima do ponto de corte não significa que a criança tenha um transtorno de ansiedade ou que recebeu um diagnóstico. Significa que seu resultado ficou em uma faixa elevada de sintomas segundo os parâmetros normativos do instrumento e que esse resultado pode indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada”, explica Carolyne Oliveira.

Jéssica Soares acrescenta que a análise encontrou uma pontuação média maior entre as meninas. “As meninas apresentaram média de sintomas ansiosos significativamente maior que a dos meninos, embora não tenha sido encontrada associação estatisticamente significativa entre sexo e a prevalência de ansiedade elevada”, relata. “A escala apresentou boa consistência interna no escore total, reforçando sua utilidade como instrumento de rastreamento nessa população.”

De acordo com as autoras, as meninas tiveram pontuações médias maiores, mas a proporção de crianças classificadas com sintomas elevados foi semelhante entre os dois grupos.

A coleta de dados ocorreu em dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, após autorização dos responsáveis e concordância das próprias crianças em participar. A escala foi aplicada individualmente em ambiente reservado com duração aproximada de 20 a 30 minutos por participante.

Contexto social e contribuições dos resultados

As crianças indicaram com que frequência vivenciavam situações descritas no questionário, escolhendo entre “nunca”, “às vezes”, “muitas vezes” e “sempre”. Entre as afirmações estavam “Eu fico com medo quando tenho que fazer uma prova”, “Eu me preocupo em estar longe dos meus pais” e “Quando eu tenho um problema, meu coração bate muito rápido”.

Para as pesquisadoras, os achados podem apoiar uma escuta mais atenta pelas famílias, orientar práticas de acolhimento nas instituições e auxiliar profissionais de saúde na identificação de necessidades de avaliação e acompanhamento.

“Essas contribuições devem considerar as condições de vida das crianças e os recursos de proteção disponíveis, favorecendo um cuidado compartilhado entre família, instituições e serviços de saúde, sem reduzir a criança ao resultado obtido no instrumento”, destaca Jéssica Soares.

Os resultados se restringem ao grupo estudado e como não houve acompanhamento ao longo do tempo, não permitem avaliar a evolução dos sintomas. A vulnerabilidade social foi considerada a partir do perfil do público atendido pela entidade, sem avaliação socioeconômica individual, fato que também não permite estabelecer uma relação de causa entre as condições sociais e os sintomas de ansiedade.

Ao final da pesquisa, foi elaborado um relatório para a instituição com a pontuação total de cada criança e os principais resultados nas dimensões avaliadas pela escala. O documento reúne informações que podem subsidiar o reconhecimento das necessidades de cuidado dos participantes.

O estudo está disponível para consulta na íntegra no Repositório Institucional 

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