“Cuidar é um ato político, humano e profundamente coletivo”, afirma Alexandre Ernesto Silva, egresso do curso de Enfermagem que se tornou professor universitário e referência em cuidados paliativos

Formado na turma de 2000, o egresso é docente da UFSJ e atua na consolidação dos cuidados paliativos no Brasil, com iniciativas acadêmicas, políticas públicas e projetos sociais em comunidades vulneráveis

Atualizado em 11/03/2026 14:28

Alexandre Ernesto Silva - egresso da turma do curso de Enfermagem de 2000. (Foto: Arquivo Pessoal)

Da formação acadêmica à atuação em políticas públicas, da docência universitária ao trabalho direto com populações em situação de vulnerabilidade, a trajetória do enfermeiro Alexandre Ernesto Silva, egresso do curso de Enfermagem da UNIFAL-MG, é marcada por um compromisso profundo com o cuidado em suas inúmeras dimensões.

Natural da cidade mineira de Divinópolis, Alexandre se formou na turma de 2000 e atualmente é professor dos cursos de Enfermagem e Medicina da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), no campus Divinópolis.

Ao recordar a escolha pela UNIFAL-MG, o egresso destaca dois fatores decisivos: a qualidade do curso e a afinidade com a região do Sul de Minas. “Escolhi a UNIFAL-MG pela qualidade que a Universidade já tinha, a Escola de Enfermagem já tinha na época, e também pela região do Sul de Minas, um lugar que eu gosto muito”, relata.

Para Alexandre, os anos vividos na UNIFAL-MG foram transformadores do ponto de vista acadêmico e também humano. “Eu posso descrever o tempo que eu passei na UNIFAL-MG como muito rico na minha vida”, ressalta.

Registros da graduação de Alexandre, época que ele descreve como “rica”. (Fotos: Arquivo/Alexandre Silva)

Durante a graduação, participou intensamente de projetos de extensão e do Programa de Educação Tutorial (PET), experiências, que segundo ele, marcaram sua formação. “Até hoje eu acredito muito na extensão universitária, no extramuro, em ver as realidades que existem em volta da universidade e poder crescer com isso”, comenta.

Essas experiências o levaram a apresentar trabalhos acadêmicos em diferentes regiões do país, incluindo Natal-RN e Rio de Janeiro-RJ, além de participar de projetos de extensão em APAEs, oportunidade em que atuou com pessoas com deficiência. Para ele, essas vivências ampliaram o olhar sobre a realidade social e o papel da saúde nos territórios.

Outro momento destacado por Alexandre em sua passagem pela UNIFAL-MG foi o estágio supervisionado, realizado externamente. “Fazer um estágio supervisionado fora da Universidade foi muito importante, porque trouxe muita maturidade”, enfatiza.

Conforme ele, foi também nesse período que surgiu sua vocação para a docência. Ainda como estagiário em Divinópolis, Alexandre foi convidado a participar de aulas em cursos técnicos de Enfermagem. “Ali eu percebi que gostava muito da docência”, revela.

Alexandre durante o Jubileu de Prata da turma de 2000 do curso de Enfermagem, realizado na UNIFAL-MG, em dezembro de 2025. (Fotos: Dicom/UNIFAL-MG)

Após a graduação, sua trajetória profissional passou a combinar ensino e gestão em saúde. Alexandre assumiu a gerência de equipes de enfermagem em hospitais nas cidades de Divinópolis e Itapecerica, ao mesmo tempo em que contribuía na formação de profissionais de nível técnico. A carreira acadêmica se consolidou na docência no ensino superior com o ingresso por concurso na Universidade Federal de São João del-Rei, em 2013.

Entre as diversas áreas em que trabalha, os cuidados paliativos se tornaram o eixo central de sua trajetória profissional. “Uma das coisas que mais me orgulha é ter desenvolvido no meu trabalho aquilo que eu mais gostaria de trabalhar, que são os cuidados paliativos”, conta.

Essa dedicação o levou a se tornar consultor técnico do Ministério da Saúde na implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos – um marco importante na organização da assistência em saúde no país.

Além da atuação acadêmica e institucional, Alexandre também desenvolveu um projeto social que nasceu da extensão universitária e do doutorado, e hoje se tornou uma iniciativa consolidada de cuidado comunitário: a Favela Compassiva Rocinha e Vidigal, no Rio de Janeiro. A iniciativa leva assistência e suporte em cuidados paliativos a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Em uma de suas publicações nas redes sociais, ao comentar o trabalho realizado nessas comunidades, Alexandre sintetizou a visão que orienta sua atuação: “Cuidar é um ato político, humano e profundamente coletivo.”

Essa visão diferenciada para o cuidado vem sendo reconhecida por meio de premiações ao longo dos anos, entre eles o Prêmio Anna Nery (2019), concedido pelo Conselho Federal de Enfermagem, o Prêmio Florence Nightingale (2023) e o reconhecimento internacional como o oitavo enfermeiro mais influente da América Latina e do Caribe, concedido pela Sigma Theta Tau International.

Essa visão diferenciada para o cuidado vem sendo reconhecida por meio de premiações ao longo dos anos, além de contribuir junto ao Ministério da Saúde, na implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos. (Fotos: Arquivo/Alexandre Silva)

Ao refletir sobre sua própria história, Alexandre reconhece o papel decisivo da educação. “Eu tinha uma condição financeira e social muito precária. O estudo mudou a minha vida, me deu condições de viver melhor e de possibilitar à minha família condições melhores também”, afirma.

O egresso deixa uma dica aos estudantes que estão iniciando sua formação, inspirado na própria experiência universitária. “Não percam oportunidades, especialmente da extensão, da pesquisa e do PET. Não pensem na vida universitária apenas como sala de aula. Pensem no extramuro, nas experiências e nos encontros que a universidade proporciona”, finaliza. 

Conheça o Projeto Favela Compassiva Rocinha e Vidigal

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