Disciplina optativa introduz estudantes de graduação ao universo da criminalística e da produção de provas técnicas na investigação científica

Iniciativa amplia a formação acadêmica ao integrar ciência, investigação criminal e análise pericial em um mesmo espaço formativo
Simulação de cena de crime para aula de métodos de coleta de vestígios. (Foto: Arquivo/Coordenação)

Desde 2025, estudantes de diferentes cursos de graduação da UNIFAL-MG têm a oportunidade de ampliar sua formação acadêmica por meio da disciplina optativa Bases das Ciências Forenses I, que introduz fundamentos da criminalística e da produção de provas técnicas no contexto científico.

Ministrada pela professora Alessandra Esteves e pelo professor Wagner Costa Rossi Junior, ambos do Departamento de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade, a disciplina reúne conhecimentos científicos voltados à análise técnica de fatos para a produção de provas periciais, como forma de articular teoria e prática em diferentes áreas das Ciências Forenses.

Alessandra Esteves – professora do Departamento de Anatomia e responsável pela disciplina optativa. (Foto: Arquivo Pessoal)

“O foco está no papel do cientista forense e do perito criminal, bem como na aplicação do método científico na investigação de cenas de crime”, sintetiza a professora Alessandra Esteves, que possui especialização em Ciências Forenses pela Faculdade Volpe Mieli e em Técnicas de Arqueologia e Antropologia Forense aplicadas às ações humanitárias pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Ao longo do semestre, os estudantes entram contato com conteúdos teóricos e práticos relacionados à análise técnica de fatos e à produção de evidências periciais.

Entre os temas abordados estão os tipos de peritos e suas áreas de atuação, levantamento de local de crime, elaboração de laudos periciais, coleta e preservação de vestígios, medicina legal, antropologia e odontologia forense, toxicologia forense, noções de biologia e balística forense, além de datiloscopia (papiloscopia), fundamentos de direito penal e cadeia de custódia.

Wagner Costa Rossi Junior – professor do Departamento de Anatomia e responsável pela disciplina optativa. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Mais do que apresentar conceitos, a disciplina busca desenvolver o raciocínio científico aplicado à investigação, estimulando a observação criteriosa, a análise crítica de vestígios e a construção de conclusões fundamentadas em métodos cientificamente comprovados”, explica o professor Wagner Rossi Junior. O docente é especialista em Ciências Forenses pela Faculdade Volpe Mieli e em Odontologia Legal pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

Conforme a professora Alessandra Esteves, a disciplina surge com a proposta de fortalecer a formação científica e estimular o protagonismo estudantil.

“Queremos que o discente compreenda que ele não é apenas um espectador do conhecimento, mas um agente ativo na construção da análise científica. Ao vivenciar a aplicação do método científico na investigação de casos criminais, o estudante desenvolve autonomia, responsabilidade técnica e senso crítico – competências essenciais para quem deseja atuar na interface entre ciência e justiça”, reforça.

A docente também destaca o impacto regional da iniciativa. “Ao oferecer essa formação, contribuímos para qualificar profissionais capazes de atuar com rigor técnico e ética no serviço público das polícias científicas, bem como na esfera judicial, ampliando o leque de possibilidades e fortalecendo a cultura científica aplicada às demandas reais.”

Para o professor Wagner Rossi Junior, a disciplina aproxima os estudantes da realidade profissional e evidencia a relevância social das Ciências Forenses. “Ao conhecer desde o levantamento de local de crime até a elaboração do laudo pericial, o estudante entende a importância da cadeia de custódia, do trabalho interdisciplinar e da responsabilidade que envolve a produção da prova técnica. Essa compreensão amplia horizontes e prepara o futuro profissional para atuar de forma consciente e comprometida com a verdade científica”, assinala.

Primeira turma da disciplina Bases das Ciências Forenses I, ofertada em 2025. (Foto: Arquivo/Coordenação)

Em 2025, a disciplina contou com atividades práticas que aproximaram os estudantes da realidade da investigação pericial, como a simulação de uma cena de crime para aula sobre métodos de coleta de vestígios, uma aula prática sobre princípios da balística realizada no 64º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais, em Alfenas, e a preparação de uma cena de crime simulada no ginásio poliesportivo da Universidade, utilizada como atividade avaliativa final da disciplina.

As aulas da turma de 2026 já tiveram início, dando continuidade à proposta de formação interdisciplinar e prática que caracteriza a disciplina Bases das Ciências Forenses I.

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