
A editoria UNIFAL-MG pelo Mundo conta a história de Ronaldo André Lopes, egresso do curso de Matemática, especialista em Educação Matemática na Contemporaneidade e mestre em Educação pela Universidade. Hoje, aos 28 anos, é professor do Departamento de Matemática da UNESP, no campus de Rio Claro, onde atua na área de Educação Matemática. Ronaldo Lopes também é doutor em Educação pela UFSCar.
O profissional atuou como professor da Educação Básica na Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG), para a qual foi aprovado, ainda durante a graduação, no concurso para o cargo de Professor da Educação Básica (PEB) – Matemática. Atuou também como supervisor no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), entre 2022 e 2026.

O educador foi professor substituto na UNIFAL-MG em 2023, onde ministrou disciplinas para os cursos de Matemática, Química e Pedagogia. Ele relata que foi nesse período que teve certeza de que seguiria a carreira na docência universitária. “Cursar a graduação, mestrado, doutorado e já ingressar no ensino superior como docente nesse tempo é algo que me orgulha bastante”, destaca.
Além disso, coordenou a área de Matemática e suas Tecnologias do Cursinho Popular Êxito da UNIFAL-MG, em 2025. No momento, o profissional desenvolve pesquisas, no campo da Educação Matemática, sobre políticas de ações afirmativas, com ênfase no alcance da Lei de Cotas em universidades federais, assim como nas dimensões do acesso, permanência e sucesso acadêmico no ensino superior.

O matemático também investiga temas relacionados à Formação de Professores, ensino de Matemática, Novo Ensino Médio, Cursinhos Populares, Educação Matemática Crítica, Investigação Matemática, Educação Matemática com pessoas idosas e o uso do xadrez como recurso educacional. O graduado ainda é membro do Grupo de Pesquisas GPEF om Formação Compartilhada de Professores: Escola e Universidade (UFSCar) e do Grupo Épura Educação Matemática e Inclusão (UNESP). Possui participação em eventos científicos internacionais no Chile e na Argentina, nas áreas de Educação Matemática e Educação.
Ele conta que desde cedo teve interesse pela Matemática e pela educação e a possibilidade de unir as duas áreas por meio da Licenciatura foi determinante para sua escolha. “Além disso, a qualidade da formação oferecida pela UNIFAL-MG e sua importância para a região também contribuíram para essa decisão”, afirma.

O graduado recorda que, com 6/7 anos de idade, dizia que seria professor e esse sonho se manteve. Em 2016, chegou a cursar um ano de Ciência da Computação na UNIFAL-MG e percebeu ainda mais sua afinidade com o ensino das disciplinas de matemática. Ronaldo Lopes narra que seus colegas diziam que ele tinha facilidade em ensinar Geometria Analítica e outros conteúdos. Então, entendeu que se identificava mais com a Matemática e resolveu mudar de curso. O egresso relata que professores do departamento de Matemática também o inspiraram nesse processo, como o professor Anderson Oliveira, que hoje é um amigo de profissão.
Segundo ele, seu período na UNIFAL-MG foi de intenso crescimento acadêmico, profissional e pessoal. O graduado esteve na Universidade desde os 15 anos, quando foi bolsista do PIBIC Junior, sob orientação do professor Eric Ferreira, do Departamento de Estatística.
No ensino, fez parte do Residência Pedagógica e foi monitor de Cálculo algumas vezes. Na Extensão, atuou no Conversas Matemáticas, no Cursinho Êxito, no Xadrez da UNIFAL-MG e nos projetos Em busca do Equilíbrio, Formação de professores para uma educação crítica: o professor como mediador do conhecimento e Laboratório de Ensino em Educação Matemática na formação de professores. Já na pesquisa, realizou iniciação científica com orientação do professor Guilherme Gomes. O matemático destaca que essas participações foram muito marcantes no seu tempo de graduação, além da importância que seus professores tiveram nesse momento.

“Eu sentia que, de fato, poderia contar com vários deles na minha formação e vida profissional. Estavam lá nos momentos desafiadores e nas conquistas também, acolhendo, aconselhando, me recebendo em suas salas. Isso me fez acreditar que eu poderia ser um professor universitário e me inspirar em alguns deles”, declara.
Outros momentos importantes para o profissional foi a participação no Encontro Nacional de Educação Matemática (ENEM), em Cuiabá/MT, em 2019, e a produção do livro “Temas de Matemática no Enem: praticar e aprender” para o Cursinho da UNIFAL-MG, em 2020, que posteriormente foi publicado.
O profissional afirma que a UNIFAL-MG forneceu uma formação sólida tanto do ponto de vista matemático quanto pedagógico. “A formação recebida na licenciatura em Matemática foi além do domínio dos conteúdos matemáticos, proporcionando uma compreensão mais ampla sobre processos de ensino e aprendizagem, formação humana, produção do conhecimento científico e compromisso social da educação”, salienta.
O educador relata que a formação didático-pedagógica recebida na UNIFAL-MG tem sido fundamental para o planejamento das disciplinas que ministra no Ensino Superior e para as experiências que teve na Educação Básica.
Ele acrescenta que aprendeu a compreender que ensinar Matemática envolve muito mais do que transmitir conteúdos: exige criar condições para que os estudantes construam significados, desenvolvam autonomia intelectual e estabeleçam relações entre os conceitos matemáticos e diferentes contextos. “Essa perspectiva influencia diretamente minhas práticas docentes e minhas pesquisas em Educação Matemática, com foco na Educação Matemática Crítica”, conclui.
Outro aspecto de importância que o matemático pontua é contato com tecnologias educacionais. Durante a graduação, ele comenta que teve a oportunidade de conhecer e utilizar ferramentas digitais que ampliam as possibilidades de ensino da Matemática. “Atualmente, utilizo recursos como o GeoGebra em atividades de ensino, pesquisa e formação de professores, explorando representações dinâmicas de conceitos geométricos, algébricos e analíticos. Essas tecnologias contribuem para tornar conceitos abstratos mais acessíveis aos estudantes e favorecem abordagens investigativas e exploratórias no ensino de Matemática”, destaca.

Como pesquisador, afirma que a UNIFAL-MG também foi essencial para sua formação. “A participação em projetos acadêmicos permitiu o desenvolvimento de competências relacionadas à leitura crítica da literatura científica, elaboração de projetos, produção de textos acadêmicos e análise de dados. Esses conhecimentos foram fundamentais para minha trajetória posterior no mestrado, no doutorado e nas pesquisas que atualmente desenvolvo na área de Educação Matemática”, evidencia.
Além disso, destaca a importância da formação ética proporcionada pela universidade. “O contato com discussões sobre ética em pesquisa, responsabilidade social e compromisso com a produção do conhecimento científico contribuiu para a construção de uma postura profissional pautada pelo respeito aos participantes das pesquisas, pela integridade acadêmica e pelo compromisso com a qualidade e a relevância social dos estudos realizados”, frisa.
Por fim, as experiências vivenciadas na UNIFAL-MG pelo egresso reforçaram sua compreensão sobre o papel transformador da educação pública. Ele afirma que essa visão continua a orientar sua atuação como professor, pesquisador e extensionista, especialmente em projetos voltados à formação de professores, à democratização do acesso ao ensino superior e à promoção de uma educação mais inclusiva e socialmente comprometida.
O educador recorda que, quando colou grau, havia um banner escrito: pública, gratuita, de qualidade e inclusiva. E quando reflete sobre essa frase, pensa que sempre deve lutar por essa educação, que permita que outros estudantes alcancem espaços maiores, como é o caso de ser professor universitário, ou ainda, outros cargos. “A universidade pública transformou esse sonho, me ajudou a polir algumas arestas e ver o sonho como algo possível. Me oportunizou conhecer lugares e países, culturas, desenvolver-me enquanto profissional, melhorar a minha qualidade de vida, renda, entre tantos outros aspectos”, declara.
Em seu trabalho atual, Ronaldo Lopes destaca seu papel de cuidado com a educação básica. “Como vim da escola pública, sempre busco desenvolver projetos e conexões que viabilizem melhorias nesse espaço”, afirma.
O egresso deixa também uma mensagem aqueles que ainda estão na graduação. “Aproveitem todas as oportunidades que a Universidade oferece. Participem de projetos de pesquisa, extensão e ensino, construam redes de colaboração e mantenham-se abertos ao aprendizado contínuo. A formação universitária vai muito além da sala de aula e cada experiência pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional. (…) Acreditem nos seus sonhos e enxerguem a universidade como um caminho para realizá-los. Nem sempre a trajetória será fácil, mas a educação tem o poder de abrir portas, ampliar horizontes e transformar vidas.”, afirma.
Ronaldo Lopes ainda deixa uma dica aos acadêrmicos de ciências exatas. “Procurem seus professores, busquem tirar dúvidas e explorem o diferencial que vocês têm. Não adianta ficar pensando que é necessário dominar tudo para ser um bom profissional. Eu, por exemplo, decidi seguir com ações mais voltadas para a Educação Matemática. Certamente, valorizo a Matemática aplicada e pura, a Estatística, etc. Mas, procurei me desenvolver naquilo que mais me atraía e me dedico a contribuir nessa direção”, ressalta.
O profissional finaliza ao reforçar a importância da valorização das universidades públicas. “Também acredito que a sociedade precisa valorizar cada vez mais as universidades públicas. Elas formam profissionais, produzem conhecimento, desenvolvem pesquisas que impactam a vida das pessoas e contribuem diretamente para o desenvolvimento social e econômico do país”, finaliza.















