
Este texto tem como objetivo apresentar algumas considerações sobre a participação na XXXI Brigada Sul-americana de Trabalho Voluntário e Solidariedade com Cuba. No Brasil, a organização das Brigadas é realizada pelo MBSC – Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba, em parceria com as Associações Culturais José Martí, cada uma com células locais em alguns Estados, além de uma célula nacional responsável nas localidades onde ainda não existe organização. São entidades civis sem fins lucrativos e possuem a finalidade de difundir a solidariedade com o povo cubano para defender o seu direito à soberania. A ideia é reunir brigadistas de todo o país para conhecer a realidade cubana e, assim, têm-se evidente desde o início que ser brigadista não significa apenas ir à Cuba, enquanto turista, visando a diversão e lazer. O comprometimento do brigadista passa pela responsabilidade de difundir, no seu país de origem, o que realmente se passa em Cuba. Trata-se de um turismo político e de um trabalho militante.
A XXXI Brigada Sul-americana de Trabalho Voluntário e Solidariedade com Cuba ocorreu entre 25 de janeiro a 7 de fevereiro de 2026, ano em que se comemora o centenário de nascimento, e também 10 anos de sua passagem à imortalidade, do comandante em chefe Fidel Castro, “o melhor discípulo de Martí”, evidenciando sua obra e pensamento. Tanto Fidel quanto Martí são figuras presentes no cotidiano cubano, são vários os murais com fotos, frases e referências aos dois heróis da revolução cubana nas ruas, praças e espaços públicos, uma manifestação inequívoca de que o pensamento revolucionário continua firme e forte nos dias atuais. Foram, no total, quase 80 brigadistas, sendo 20 brasileiros/as; 49 uruguaios/as, a maior delegação da XXXI Brigada Sul-americana, que contou ainda com 8 chilenos/as e 1 brigadista de El Salvador.
As Brigadas de Trabalho Voluntário e Solidariedade são realizadas pelo ICAP – Instituto Cubano de Amizade entre os povos, em parceria com sua agência de viagens, a estatal Amistur Cuba. Parte essencial do objetivo das Brigadas consiste em divulgar e promover o conhecimento da história cubana, bem como a realização de jornadas de trabalho voluntário e solidariedade, além de levar doações ao país. O intuito é propiciar uma imersão na realidade cubana para melhor compreensão das dificuldades que o país tem atravessado devido aos ataques consistentes e históricos à sua soberania e fortalecer a luta e a resistência frente à esses ataques.
Em 2026, participamos da Marcha de las Antorchas, ocorrida em 27 de janeiro de 2026, em homenagem ao 173º aniversário de José Martí e, especialmente esse ano, ao centenário de Fidel Castro. Visitamos em 05 de fevereiro de 2026 o Hospital Docente Clínico Quirúrgico 10 de Octubre, em La Habana, onde realizamos a doação de mais de 500kg de medicamentos diretamente aos/as médicos/as da instituição.

Na cerimônia de encerramento da XXXI Brigada Sul-americana de Trabalho Voluntário e Solidariedade com Cuba, realizada na sede do ICAP em La Habana, foi doada a quantia de mais de $17.000usd em mãos ao Presidente do ICAP, Fernando González Llort. Tudo foi arrecadado durante meses de campanha, realizadas pelas delegações que participaram da XXXI Brigada Sul-americana. O presidente do ICAP, ao receber as doações, foi muito feliz em sua colocação: “No dan lo que les sobra, sino de lo poco que tienen”, o que destaca o imenso valor deste gesto solidário e fraternal demonstrado pelos/as brigadistas e a importância da realização das Brigadas para fortalecer à solidariedade com Cuba.
A partir do conhecimento da história cubana, da realização de trabalhos voluntários e a troca de experiências entre os/as brigadistas, espera-se que nós possamos compreender de maneira singular a realidade cubana. Que possamos sentir e compartir das mesmas dificuldades, vivenciar o dia-a-dia e os desafios enfrentados pela população cubana, constituindo uma importante ferramenta de divulgação verídica sobre a realidade em Cuba e os impactos do embargo criminoso engendrado pelo império estadunidense já há mais de 60 anos.
Não é só Cuba que precisa da nossa solidariedade. Nós também precisamos de Cuba: defender Cuba é defender, ao mesmo tempo, nós mesmos. Ademais, em suas diferentes missões de ajuda, nunca deixou, com seu caráter de solidariedade internacionalista, de ajudar outros povos quando necessário. Cuba é a única experiência duradoura do socialismo na América Latina, um desafio escancarado à hegemonia estadunidense e à doutrina Monroe, que entende toda a América Latina como seu mero quintal. É nesse sentido que precisamos defender Cuba, pois defendê-la é também defender a nossa própria soberania e direito de escolher nossos próprios rumos, sem a intervenção de nenhum outro país. A existência de Cuba é um marco político e ideológico importantíssimo pois, materializa a existência de outra alternativa na qual um mundo melhor é possível, um mundo no qual se preza a vida e o ser humano, em detrimento ao consumismo desenfreado do mundo capitalista. Significa que outro modelo de sociedade, socialista, igualitária e soberana é possível.
Conhecer de perto a realidade do socialismo cubano e, principalmente, o povo cubano, foi uma experiência única e sem precedentes. A educação de sua gente, a acolhida calorosa de seu povo, a força, resistência e luta em defesa do seu país, suas belezas naturais, sua cultura, enfim, essa ilha caribenha, pequena em seu tamanho mas enorme em seu significado, é um farol de esperança nesse mundo obscuro em que vivemos.
Cuba e seu povo seguem firmes em sua revolução que, continua, até hoje. São conscientes de sua história e de seus deveres frente aos desafios que se impõem e sabem que, somente com luta e resistência, seguirão sendo uma nação soberana e independente. Esse é o verdadeiro patriotismo. E mais uma verdadeira lição para nós, brasileiros e brasileiras.
*Este texto é uma síntese do artigo publicado pelo autor na íntegra no portal Outras Palavras, em 26 de fevereiro de 2026. Acesse: Solidariedade a Cuba: Relatório de uma viagem

André Luís Domingos é licenciado em História (2021) e bacharelado em Ciências Sociais (2025) pela UNIFAL-MG, atualmente mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGeo), também pela UNIFAL-MG. Durante a graduação em História, estudou a relação entre futebol e política no Brasil, em particular a relação entre o movimento das Diretas Já e a Revista Placar, entre os anos 1982 e 1984. Na graduação em Ciências Sociais, pesquisou sobre Sociologia do Trabalho, mais especificamente as condições e relações do trabalho plataformizado e capitalismo de plataforma no Sul de Minas Gerais. Currículo lattes
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