Entre os dias 04 e 07 de junho, o projeto de extensão ‘’Consciência negra o ano todo, de janeiro a janeiro”, da UNIFAL-MG, realizou uma viagem de estudo ao Rio de Janeiro. A iniciativa, coordenada pela professora Ana Lúcia da Silva e pelo professor Marcelo Menezes Salgado, ambos do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), teve como objetivo principal proporcionar aos participantes o conhecimento aprofundado de espaços históricos e culturais. Além disso, teve foco no patrimônio material e imaterial de matriz africana e afro-brasileira da cidade carioca, fomentando a Educação antirracista, feminista e em Direitos Humanos.

A ação reuniu estudantes da Universidade de graduação, pós-graduação e membros da comunidade externa do campus de Alfenas, proporcionando uma experiência que uniu conhecimento acadêmico, vivências culturais e o fortalecimento das relações étnico-raciais. Com base nas diretrizes das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que estabelecem o ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena, a viagem de estudo consolidou-se como um trabalho pedagógico multidisciplinar que integrou as áreas de Psicologia, Educação, Geografia e História.

Durante a programação, houve uma imersão na cartografia urbana negra do Rio de Janeiro, destacando figuras históricas e contemporâneas através do Projeto Negro Muro e de monumentos como a estátua de Marielle Franco. O roteiro contemplou locais emblemáticos, desde o Theatro Municipal, palco do Teatro Experimental do Negro, até os Arcos da Lapa e a Escadaria Selarón, conectando a trajetória de personalidades como Luiz Gama, Ruth de Souza e ícones da música brasileira ao patrimônio cultural da cidade.
O percurso explorou ainda os caminhos da Pequena África, visitando pontos de resistência e memória como o Cais do Valongo, a Pedra do Sal e o Instituto Pretos Novos, além de homenagear o legado de mulheres como Mercedes Batista e Conceição Evaristo. A programação foi encerrada com uma visita ao Museu Imagens do Inconsciente e ao Memorial de Dona Ivone Lara, integrando o conhecimento sobre a luta antimanicomial e a saúde à valorização da história e da identidade afro-brasileira.
Segundo Adelaide Terra de Souza, discente do curso de Pedagogia, a viagem de projeto de extensão da Universidade foi enriquecedora ao conhecer mais dos nossos ancestrais. ‘’Como diz Manuela da Silva (2025) ao citar Conceição Evaristo: “nossos passos vêm de longe”. Espero que mais alunos e não só alunos tenham a oportunidade de saber e conhecer mais dessa história linda de muita luta e determinação pelos ideais’’, ressalta.

Para Cristiane Aparecida Silva Oliveira, trabalhadora rural de Boa Esperança (MG) e participante da atividade como comunidade externa, a viagem ao Rio de Janeiro foi uma experiência enriquecedora, proporcionando novos conhecimentos sobre a história e o espaço urbano da cidade. ‘’Conhecer a história da cidade e participar do trabalho de campo foi descobrir um mundo novo dentro do meu próprio país”, destaca.
Laís Guímel, discente do curso de Fisioterapia, afirma que a viagem ao Rio de Janeiro foi uma experiência enriquecedora, marcada por aprendizado, descanso e transformação de perspectivas. ‘’Foi uma viagem muito enriquecedora e maravilhosa. Eu tinha um certo preconceito sobre o Rio de Janeiro, mas essa experiência mudou minha visão sobre a cidade”, diz.
De acordo com Gian Silva Oliveira, discente do curso de Geografia, a participação no Projeto de Extensão ”Consciência Negra o Ano Todo” e na viagem ao Rio de Janeiro possibilitou compreender a história para além dos conteúdos escolares, reconhecendo a presença e a resistência da população negra na contemporaneidade e ampliando seus conhecimentos como futuro professor. ‘’A viagem me permitiu ir além da história ensinada nas escolas e compreender a importância da resistência negra presente até os dias de hoje’’, finaliza.





















