O Conselho Federal de Farmácia (CFF) aprovou uma proposta de pesquisadoras da UNIFAL-MG para incluir o uso da terapia de fotobiomodulação com laser de baixa intensidade entre as atividades de farmacêuticos que prestam assistência a lactantes. A decisão foi tomada em 30 de julho, durante a 569ª Reunião Plenária, no Rio de Janeiro.


A proposta foi uma iniciativa da farmacêutica Thâmara Gaspar Campos, consultora em aleitamento materno, pesquisadora e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF), e da professora Larissa Helena Lobo Torres, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade, coordenadora e docente do PPGCF. A pauta foi levada à reunião pela conselheira federal Júnia Medeiros.
Segundo Thâmara Campos, embora já existisse uma regulamentação voltada ao cuidado em aleitamento materno, os farmacêuticos não tinham autorização para utilizar a fotobiomodulação. Com a atualização da Resolução nº 15/2025, a técnica passa a ser prevista como recurso de apoio no manejo de intercorrências enfrentadas pelas lactantes, o que amplia as possibilidades de atuação clínica desses profissionais.
“A finalidade é que os farmacêuticos possam utilizar a técnica como ferramenta de apoio no manejo da dor, da inflamação e de fissuras mamilares das lactantes, contribuindo, dessa forma, para a redução do desmame precoce”, explica.
Apresentação técnica na reunião plenária

Durante a plenária, Thâmara Campos realizou uma apresentação técnica online sobre a proposta. A pesquisadora abordou a importância da amamentação, a média de duração do aleitamento materno no Brasil, a atuação dos diferentes profissionais da saúde e a situação dos farmacêuticos no campo da consultoria em aleitamento.
Segundo a pesquisadora, a exposição também apresentou informações sobre a segurança e a eficácia da terapia com laser de baixa intensidade e defendeu a competência técnica dos farmacêuticos para utilizar a tecnologia.
“Os farmacêuticos estavam entre os poucos profissionais que não tinham respaldo legal para utilizar a terapia com laser de baixa intensidade”, ressalta.
A pesquisadora explicou aos integrantes do Conselho que a ausência de respaldo legal colocava os farmacêuticos em desvantagem em relação a outros profissionais que atuam na assistência a lactantes. Com a aprovação, a categoria passa a contar com previsão normativa para incorporar a técnica ao atendimento, observadas as condições estabelecidas pela regulamentação.
Relação com a pesquisa de doutorado

A atuação de Thâmara Campos na elaboração da proposta também se relaciona ao tema de sua pesquisa de doutorado. “A minha tese está relacionada com a proteção do desenvolvimento neuropsicomotor associada à amamentação. Quando ampliamos o uso da fotobiomodulação para a profissão farmacêutica, aumentamos o acesso a essa tecnologia tão importante para a saúde das lactantes e a redução do desmame precoce”, afirma a doutoranda sobre a pesquisa, que deve concluir em dezembro de 2027.
Na avaliação da pesquisadora, além de ampliar as possibilidades de assistência às lactantes, a aprovação pelo Conselho Federal de Farmácia é um reconhecimento da contribuição da pesquisa e da atuação farmacêutica para o cuidado em aleitamento materno.
“Para mim, como pesquisadora e farmacêutica, participar da construção dessa proposta é motivo de grande orgulho. Saber que esse trabalho poderá beneficiar milhares de famílias brasileiras e contribuir para a proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno é muito gratificante”, declara.
A tramitação da proposta de alteração da resolução contou com o apoio de Jeice Ignácio, diretora-tesoureira do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF/MG), e de Débora Lacorte, assessora técnica do órgão, que intermediaram o contato das pesquisadoras com o Conselho Federal de Farmácia.
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