A UNIFAL-MG teve dois projetos aprovados na Chamada Pública MCTI/Finep/FNDCT – Infraestrutura de Pesquisa – PROINFRA 2025 Expansão, que juntos somam mais de R$ 11,5 milhões para o fortalecimento da infraestrutura científica da Universidade. Os recursos serão destinados à ampliação de estruturas multiusuárias voltadas a pesquisas biomoleculares de alta complexidade e ao desenvolvimento de materiais para remediação ambiental.
O projeto Expansão da Infraestrutura Multiusuária para Estudos Biomoleculares de Alta Complexidade (EIMBAC), coordenado pelo professor Giovane Galdino de Souza, do Instituto de Ciências da Motricidade (ICM), teve R$ 4.258.735,10 aprovados. Já a Expansão da Infraestrutura Multiusuária de Materiais Funcionais para Remediação Ambiental (MAFRA), coordenada pelo professor Gael Yves Poirier, do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), recebeu aprovação de R$ 7.274.603,51.

Segundo o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Luiz Felipe Leomil Coelho, os investimentos, que totalizam R$ 11.533.338,61, devem ampliar a capacidade da Universidade de realizar análises que atualmente são limitadas ou dependem da utilização de infraestrutura de outras instituições.
“A aprovação desses dois projetos representa um avanço muito significativo para a infraestrutura de pesquisa da UNIFAL-MG com grandes impactos na pós-graduação”, afirma. “O investimento permitirá incorporar equipamentos de grande porte e alta complexidade com perfil multiusuário, ampliando a capacidade da Universidade de realizar análises que hoje são limitadas ou dependem de parcerias e do deslocamento de amostras para outras instituições”, complementa.
Para Luiz Felipe Coelho, a escolha das duas áreas considerou competências científicas já existentes na UNIFAL-MG, a demanda por utilização compartilhada dos equipamentos e a relevância dos temas para a sociedade.
Na área biomolecular, a infraestrutura poderá apoiar pesquisas relacionadas, entre outros temas, a doenças infecciosas, desenvolvimento de medicamentos, diagnóstico, imunologia e biotecnologia. “Isso cria condições para o desenvolvimento de pesquisas mais competitivas em áreas como doenças infecciosas, desenvolvimento de fármacos, biomarcadores, imunologia e outras aplicações em saúde”, argumenta o pró-reitor.
Na área de materiais e remediação ambiental, a proposta está relacionada ao desenvolvimento de materiais e tecnologias para prevenção, monitoramento e mitigação de impactos ambientais. “Trata-se de um investimento com impacto institucional e regional, que eleva a capacidade da Universidade de desenvolver pesquisas de maior complexidade e relevância científica, tecnológica e social”, ressalta Luiz Felipe Coelho.
Análises biomoleculares em diferentes escalas

O EIMBAC prevê a aquisição de quatro equipamentos: um sistema de ultrassom para avaliação funcional por imagem in vivo adaptado para roedores, um citômetro de fluxo com capacidade de separação celular, um calorímetro de titulação isotérmica e um equipamento de ressonância paramagnética eletrônica.
De acordo com o coordenador, professor Giovane Souza, o conjunto permitirá combinar avaliações fisiológicas, celulares, moleculares e biofísicas em uma mesma estratégia experimental.
Entre as possibilidades estão avaliações funcionais e morfológicas não invasivas em modelos experimentais, isolamento e caracterização de populações celulares, investigação de interações entre biomoléculas e caracterização de processos associados ao estresse oxidativo.
“Um dos principais avanços será a possibilidade de integrar análises fisiológicas, celulares, moleculares e biofísicas em uma mesma estratégia experimental, estabelecendo relações entre alterações funcionais observadas in vivo e os mecanismos celulares e moleculares subjacentes”, explica.

Segundo Giovane Souza, a ampliação também deverá aumentar a autonomia experimental dos grupos de pesquisa e reduzir a dependência de estruturas externas para a realização de análises especializadas.
A estrutura poderá apoiar pesquisas sobre alterações cardiovasculares, processos inflamatórios, respostas e heterogeneidade celular, estresse oxidativo e interações entre biomoléculas, fármacos e seus alvos. Também poderá ser utilizada na avaliação da eficácia, dos mecanismos de ação e da toxicidade de compostos e em estudos relacionados ao desenvolvimento e à caracterização de fármacos, biomateriais e compostos bioativos.
Conforme o professor, os equipamentos poderão ser utilizados por pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação da UNIFAL-MG, além de pesquisadores de outras instituições, órgãos públicos e, quando aplicável, o setor produtivo. O acesso deverá ocorrer de forma compartilhada, com critérios de utilização, agendamento e acompanhamento por comitês gestores.
“Os equipamentos atenderão diferentes grupos e áreas de pesquisa, favorecendo projetos interdisciplinares, colaborações institucionais e o uso eficiente da infraestrutura”, observa.
Novos equipamentos para pesquisas ambientais

O MAFRA permitirá adquirir um microscópio Raman, um equipamento LC-HRMS-Orbitrap e um analisador de nitrogênio orgânico e carbono orgânico total, identificado pela sigla TOC/TON.
Gael Yves Poirier, professor que coordena o projeto, explica que o microscópio Raman permitirá estudar, em escala microscópica, a estrutura, a composição e as propriedades de materiais inorgânicos, orgânicos e biológicos.
O LC-HRMS-Orbitrap será utilizado em estudos de metabolômica, proteômica e lipidômica e poderá auxiliar na compreensão de processos de degradação de compostos e formação de metabólitos. Já o analisador TOC/TON será empregado na caracterização de amostras orgânicas, inclusive na comparação de materiais antes e depois de processos de remediação ambiental.
“Os equipamentos irão operar em caráter multiusuário, uma vez que serão incorporados no parque de equipamentos da plataforma multiusuária MultiPoços da UNIFAL-MG, no campus de Poços de Caldas”, reforça o professor.
O coordenador detalha ainda: “Todos os equipamentos dessa plataforma estão acessíveis em caráter multiusuário aos pesquisadores da UNIFAL-MG com objetivo de dar apoio aos programas de pós-graduação da instituição, pesquisadores de outras instituições na forma de parcerias científicas com pesquisadores da UNIFAL-MG ou ainda disponíveis para prestação de serviços especializados para instituições públicas ou privadas.”

A proposta científica prevê o desenvolvimento de materiais funcionais voltados ao monitoramento e à remediação ambiental, entre eles cerâmicas, vitrocerâmicas, óxidos semicondutores e nanomateriais, com propriedades que podem favorecer processos de degradação ou remoção de contaminantes.
Esses materiais também poderão ser investigados em aplicações relacionadas ao tratamento de efluentes, à recuperação de bioenergia de resíduos agroindustriais e à recuperação de ambientes impactados.
“O subprojeto pretende utilizar dados analíticos obtidos com os novos equipamentos para gerar informações relevantes que contribuam para a pesquisa regional e também para análises estratégicas de interesse nacional”, acrescenta o coordenador.
Fortalecimento da pós-graduação e novas colaborações

Além de ampliar as possibilidades experimentais, a expectativa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação é que as duas estruturas fortaleçam a formação de estudantes de mestrado e doutorado. Com acesso a tecnologias avançadas na própria Universidade, os pesquisadores poderão ampliar as possibilidades metodológicas dos projetos, com reflexos esperados na qualidade das dissertações e teses e no potencial de geração de publicações científicas e inovação.
Para Luiz Felipe Coelho, plataformas multiusuárias também podem estimular colaborações com universidades, institutos de pesquisa e empresas, além de contribuir para futuras propostas de financiamento.
Segundo o pró-reitor, a disponibilidade de equipamentos de grande porte pode ampliar o interesse de outras instituições em estabelecer parcerias com a UNIFAL-MG para utilização das estruturas e desenvolvimento de projetos conjuntos.

“Os R$ 11,5 milhões não devem ser vistos apenas como um investimento pontual. Eles têm potencial para gerar um ciclo virtuoso que resulta pesquisas mais competitivas, que produzem melhores resultados, ampliam as parcerias e aumentam a capacidade de captar novos financiamentos”, afirma.
Na visão do pró-reitor, os projetos combinam excelência científica, formação de recursos humanos, desenvolvimento tecnológico e resposta a desafios estratégicos da sociedade.














