Estudo aponta que mecanização pode aumentar a eficiência, mas não elimina etapas manuais na colheita de café em Três Pontas-MG

Trabalho desenvolvido no Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia da UNIFAL-MG comparou os sistemas manual, semimecanizado e mecanizado a partir de análise de custos e percepções de produtores do município

Atualizado em 22/07/2026 14:35

Mecanização é adotada principalmente devido à escassez de mão de obra e à necessidade de maior agilidade nas operações. (Foto: Arquivo/Laíne Vicentini)

Ao comparar os sistemas manual, semimecanizado e mecanizado, utilizados na colheita do café no município de Três Pontas-MG, um estudo desenvolvido no Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia da UNIFAL-MG apontou que a mecanização pode aumentar a eficiência e reduzir a dependência de trabalhadores durante a safra, mas não elimina os métodos manual e semimecanizado.

João Marcos Caixeta Franco – professor do ICSA e orientador do estudo. (Foto: Reprodução/EPTV)
Laíne Aparecida Mendonça Vicentini – graduanda em Ciência e Economia e autora do estudo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Os dados fazem parte da pesquisa Métodos e custos de colheita de café no município de Três Pontas, desenvolvida por Laíne Aparecida Mendonça Vicentini, graduanda em Ciência e Economia, sob orientação do professor João Marcos Caixeta Franco, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) do campus Varginha.

Para desenvolver o estudo, a acadêmica combinou a análise de planilhas de custos de produção divulgadas pela Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel) com entrevistas realizadas em maio de 2026 com quatro produtores rurais de pequeno e médio porte do município.

Dados apontam vantagens da mecanização

Nas planilhas analisadas, elaboradas para uma produtividade de 20 sacas por hectare e com capitalização de 6%, o custo estimado da saca de 60 quilos foi de R$ 1.379,29 no sistema manual, R$ 865,49 no semimecanizado e R$ 653,71 no mecanizado. Em relação ao método manual, os valores representam redução de 37,3% no sistema semimecanizado e de 52,6% no mecanizado. A comparação não inclui o investimento necessário para a compra das máquinas.

Levantamento mostrou que os entrevistados adotam hoje a colheita mecanizada como sistema predominante. (Foto: Arquivo/Laíne Vicentini)

Nas entrevistas, Laíne Vicentini levantou informações sobre o perfil dos produtores, o tamanho das propriedades, o volume produzido, os sistemas de colheita adotados e a percepção dos participantes sobre a eficiência de cada método.

Entre as despesas mais recorrentes, os quatro produtores citaram mão de obra, combustível e manutenção dos equipamentos. Todos também apontaram o sistema mecanizado como o mais produtivo, mais rápido e com melhor custo-benefício.

Apesar das diferenças entre as propriedades, que variam de 6 a 22 hectares e produzem entre 240 e 800 sacas de 60 quilos, a colheita mecanizada foi indicada como predominante em todas elas, embora os métodos manual e semimecanizado ainda sejam utilizados de forma complementar.

“Independentemente do tamanho da propriedade ou da produção, o uso de novas tecnologias é importante para produtores agrícolas”, aponta. “A mecanização pode beneficiar mesmo os pequenos produtores e no caso da colheita do café no município de Três Pontas, se mostrou o método mais vantajoso para os cafeicultores”, complementa.

Laíne Vicentini observou que mecanização é adotada principalmente devido à escassez de mão de obra e à necessidade de maior agilidade nas operações. Segundo ela, a maior agilidade dos equipamentos permite realizar em horas uma operação que, nos sistemas manual ou semimecanizado, poderia levar dias.

Mecanização é adotada principalmente devido à escassez de mão de obra e à necessidade de maior agilidade nas operações. (Fotos: Arquivo/Laíne Vicentini)

Mecanização não elimina etapas manuais

Nas propriedades analisadas, a varrição e o recolhimento do café que permanece no chão continuam sendo realizados manualmente. Já o sistema semimecanizado aparece no uso da derriçadeira, conhecida como “mãozinha”, empregada após a passagem da colhedora para reduzir a perda de grãos. “A utilização de derriçadeiras em áreas íngremes é indispensável, pois ela tem acesso onde máquinas não conseguem chegar”, ressalta.

Derriçadeira – sistema semimecanizado empregada após a passagem da colhedora para reduzir a perda de grãos. (Foto: Arquivo/Laíne Vicentini)

A autora do estudo, no entanto, faz uma ressalva sobre a análise. “O que não apresento no trabalho é o custo para compra desse maquinário”, pondera. “O investimento em máquinas para o sistema mecanizado é alto, e para pequenos e médios produtores a compra pode elevar o custo da saca de café nos primeiros anos, devido ao impacto financeiro, muitos produtores alugam máquinas para realização dos serviços e assim conseguem manter o custo da saca menor até conseguirem realizar a compra dos maquinários”, detalha.

De acordo com a acadêmica, o aluguel compartilhado entre vizinhos aparece como uma alternativa para conciliar o alto investimento com a realidade de propriedades menores. “Até o momento, devido ao alto custo do maquinário para colheita do café, o aluguel da máquina colhedora é mais viável, onde vizinhos em parceria alugam e agendam os horários da colheita, deixando o custo com aluguel mais barato, até possuírem o poder de compra da mesma”, revela.

Na avaliação de Laíne Vicentini, o apoio de cooperativas pode facilitar o acesso de pequenos e médios produtores ao financiamento da mecanização. “Com o suporte de cooperativas, mesmo os pequenos e médios produtores  têm facilidade no financiamento para  mecanização, assim a mecanização deixou de ser um privilégio de grandes produtores e passou a ser uma condição de sobrevivência no mercado”, salienta.

Laíne Vincentini recomenda que estudos futuros ampliem o número de participantes e incluam produtores de pequeno, médio e grande porte, para aprofundar a análise dos impactos econômicos e operacionais da mecanização.

O estudo pode ser acessado na íntegra no Repositório Institucional

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