A UNIFAL-MG, por meio da pesquisadora e docente Cilene Margarete Pereira, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) e do Grupo de Pesquisa GENI (Gênero pela Não Intolerância/UNIFAL-MG), apresentou os resultados de um estudo sobre os efeitos extrapenais do cárcere para mulheres familiares de pessoas privadas de liberdade no II Simpósio Internacional: Violência, Informação e Direitos da Mulher. O evento, organizado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), ocorreu de 09 a 11 de junho, em formato híbrido.

Financiada pela FAPEMIG, a pesquisa qualitativa do tipo bibliográfica-documental e de campo teve como foco a compreensão das múltiplas violências enfrentadas por essas mulheres. A apresentação do trabalho de Cilene Pereira, intitulado “Mulheres familiares de pessoas em situação de cárcere e violência(s)”, aconteceu no dia 09 de junho, de forma online, com transmissão ao vivo pelo Youtube. ”O trabalho expõe as diversas falhas do sistema prisional e a não efetivação da Lei de Execução Penal (LEP), como a ausência de oferta de trabalho/educação para a ressocialização de pessoas presas, e as violências empreendidas pelo Estado contra as famílias, como a violação dos direitos de visita a parentes encarcerados”, diz.
Segundo a professora, o estudo baseou-se em dados iniciais coletados junto à Associação das Andorinhas Unidas, uma rede informal informacional de apoio a familiares de pessoas em situação de cárcere. Além disso, a metodologia incluiu observação participante e notas de campo de reuniões online da Associação, realizadas entre julho e outubro de 2025, com a participação média de 25 mulheres, além de entrevistas semiestruturadas com seis de suas associadas.
”Entre os objetivos da pesquisa, destacam-se a apresentação da Associação das Andorinhas Unidas como uma rede de apoio essencial e a compreensão de como as participantes percebem a violência a que são submetidas no sistema prisional. Os resultados revelam que a Associação atua como um “fator protetivo em situações de crise, estresse e mudanças profundas no ciclo de vida dos indivíduos” , oferecendo “relações de proximidade e espontaneidade” que auxiliam no enfrentamento de adversidades e no desenvolvimento de mecanismos de adaptação, especialmente na ausência de redes formais de apoio”, destaca.
Participação anterior em Seminário Mineiro
Antes da apresentação no Simpósio Internacional, o Grupo de Pesquisa GENI já havia compartilhado resultados preliminares de sua pesquisa no I Seminário Mineiro por um Mundo sem Prisões, realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre os dias 08, 09 e 10 de abril. O evento, organizado por grupos que compõem o Observatório Pena Justa Minas Gerais, teve como tema central “A radicalidade abolicionista na universidade: agendas de pesquisa e intervenção”, reunindo pesquisadores e ativistas de diversas regiões do país.

Nessa ocasião, o trabalho apresentado, de autoria das professoras Cilene Pereira, Fernanda Onuma, Aline Lourenço e Santiane, foi intitulado “Grades (in)visíveis: luta(s) e história(s) da Associação das Andorinhas Unidas de Minas Gerais”. A pesquisa detalhou a observação participante e as notas de campo do Grupo GENI relativas ao movimento de luta da Associação das Andorinhas Unidas, sediada em Três Corações/MG.
Para a professora Cilene, o acompanhamento de doze reuniões da Associação, entre julho e outubro de 2025, revelou um perfil feminino predominante entre as familiares de pessoas em situação de cárcere no Brasil, caracterizado por pessoas pretas e pardas, de baixa renda e escolaridade. Por fim, os relatos coletados evidenciam sentimentos constantes de desconforto, ansiedade e medo devido às condições prisionais, que frequentemente incluem torturas, castigos e mortes.














