As ações de sustentabilidade desenvolvidas pela UNIFAL-MG nas áreas de ensino, pesquisa e extensão são tema de um estudo que gerou um capítulo publicado no livro internacional Sustainability in the Curriculum and Operations of Universities, da Springer Nature. Intitulado Sustainable Actions at the Federal University of Alfenas – Developments in Teaching, Research, and Extension, o trabalho é assinado pela bióloga Julieta Aparecida Moreira, servidora técnica do Instituto de Ciências da Natureza (ICN), e Elaine Angelina Colagrande, professora do Instituto de Química (IQ).
O artigo foi submetido ao congresso internacional Symposium on Sustainability in the Curriculum and Operations of Universities in Brazil, realizado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em maio de 2025, e apresenta uma análise dos dados institucionais da UNIFAL-MG encaminhados ao ranking internacional UI GreenMetric entre os anos de 2020 e 2023.
Entre os resultados, um dos destaques é o crescimento das ações extensionistas relacionadas à sustentabilidade. De acordo com o levantamento, o número de ações de extensão vinculadas ao tema passou de 19, em 2020, para 62, em 2023. Em termos percentuais, essas ações representavam 5,97% do total de atividades extensionistas em 2020 e chegaram a 11,15% em 2023.
Sistematização dos dados favorece acompanhamento institucional

Segundo Julieta Moreira, a dimensão da extensão apresentou o melhor resultado no estudo porque houve crescimento tanto no total de ações realizadas quanto naquelas identificadas com relação à sustentabilidade. No levantamento, foram consideradas ações como programas, projetos, cursos e eventos desenvolvidos no período analisado, a partir de filtros relacionados às áreas temáticas e linhas de extensão com afinidade ao tema.
A pesquisadora também observa que as informações relativas à extensão puderam ser apuradas com maior agilidade e facilidade devido à sistematização das ações extensionistas na UNIFAL-MG.
“No decorrer dos anos em que a Universidade participa do ranking internacional, comparando o levantamento dos dados institucionais de ensino, pesquisa e extensão, destaca-se as informações relacionadas às ações de extensão por serem apuradas pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura com maior agilidade e facilidade, a partir dos filtros disponíveis no sistema de Controle de Ações de Extensão (CAEX)”, detalha.
Para ela, esse aspecto mostra a importância de sistemas institucionais organizados para o acompanhamento das ações desenvolvidas pela Universidade.
Na dimensão da pesquisa, o estudo identificou produções científicas relacionadas à sustentabilidade, mas também apontou a necessidade de ampliar e organizar melhor esses dados. As publicações sobre o tema passaram de 68, em 2020, para 123, em 2023, com pico em 2022, quando foram registradas 156 publicações relacionadas à sustentabilidade, correspondentes a 17,97% da produção científica daquele ano.
“Observamos que, apesar de terem sido identificadas produções científicas com essa temática, ainda há espaço e necessidade de ampliação das produções científicas relacionadas à sustentabilidade na Instituição”, aponta Julieta Moreira.
A autora do estudo ressalta, porém, que os dados podem estar subestimados em razão da dificuldade de organização das publicações, já que a ausência de um banco de dados ou sistema com filtros específicos dificulta consultas rápidas e levantamentos temáticos quando necessário.
Já no ensino, o artigo aponta um desafio. Entre 2020 e 2023, as disciplinas de graduação e pós-graduação relacionadas à sustentabilidade permaneceram abaixo de 5% do total de disciplinas ofertadas. Em 2020, foram identificadas 91 disciplinas vinculadas ao tema, o equivalente a 4,86% do total. Em 2023, foram 67 disciplinas, correspondentes a 3,94%. Na avaliação de Julieta Moreira, esse resultado exige atenção porque é no cotidiano da sala de aula que a formação acadêmica se consolida.
“O possível caminho para a transversalidade da sustentabilidade na graduação e pós-graduação, deve passar pela flexibilização curricular e pelo estímulo a vivências práticas e interdisciplinares, que rompam as barreiras entre as áreas do conhecimento, articulando com a realidade socioambiental”, diz.
Ranking internacional orienta diagnóstico e planejamento
O estudo também destaca a relevância do UI GreenMetric como instrumento de diagnóstico e planejamento institucional. A UNIFAL-MG participa anualmente do ranking desde 2018. O levantamento considera informações relacionadas a indicadores como infraestrutura, energia e mudanças climáticas, resíduos, água, transporte e educação.
Julieta Moreira acredita que, ao oferecer uma base de dados estruturada, o ranking contribui para a gestão universitária, uma vez que qualifica a tomada de decisão institucional. “Para a Comissão de Sustentabilidade, esses dados são fundamentais para embasar o planejamento, permitindo direcionar ações para os pontos de maior vulnerabilidade institucional e, ao mesmo tempo, monitorar o impacto real das metas adotadas ao longo do tempo”, argumenta.
O capítulo publicado em livro internacional representa um desdobramento da trajetória da servidora, que atuou como gerente de sustentabilidade da UNIFAL-MG durante sete anos. “A publicação é, em certa medida, fruto desse período de dedicação ao levantamento, organização e acompanhamento das ações institucionais voltadas ao tema”, finaliza.
GreenMetric
O GreenMetric analisa diversos indicadores relacionados aos temas de: Infraestrutura, Energia e Mudanças Climáticas, Resíduos, Água, Transporte, Educação e Pesquisa. O ranking oferece, além de certificados às instituições participantes, os resultados individuais para cada eixo temático, permitindo análise e tomada de decisões institucionais a partir das interpretações. Em 2025, a UNIFAL-MG conquistou a 982ª posição mundial no ranking, considerando 1745 instituições participantes.
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