O Grupo de Pesquisa Gênero Pela Não Intolerância (Geni), da UNIFAL-MG, apresentou resultados da pesquisa “Efeitos extrapenais para mulheres familiares de pessoas em situação de cárcere”, desenvolvida com fomento da Fapemig, em dois eventos nacionais, realizados entre os dias 16 e 18 de setembro. Os trabalhos apresentados abordam os impactos do cárcere de um familiar na vida de mulheres fora das prisões, destacando os estigmas sociais, a sobrecarga feminina, o adoecimento mental e a desestruturação familiar.
No XIV Simpósio Nacional de Educação (SINCOL) e VIII Colóquio Internacional de Políticas Educacionais e Formação de Professores, realizado pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus de Frederico Westphalen (RS), as professoras Cilene Pereira e Aline Lourenço, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), coordenaram o Grupo de Trabalho “Sob a tutela (e a violação) do Estado: Educação em Direitos Humanos e Cárcere”. O GT teve como objetivo discutir criticamente o sistema prisional brasileiro, principalmente diante do crescimento do encarceramento de pessoas jovens, negras e pobres e da gestão da pobreza produzida pelas desigualdades do capitalismo global.

Na ocasião, foram apresentados os trabalhos: “Prisão e orçamento doméstico (outra forma de violação de direitos)”, de Jady Borges e orientado pela professora Cilene Pereira; “Mães que sustentam o cárcere: maternidade racializada e os efeitos extrapenais do encarceramento”, de Rafaella Oliveira com orientação da professora Aline Lourenço; “Grades invisíveis: efeitos extrapenais e reprodução social entre mulheres familiares de pessoas em situação de cárcere no sul de Minas Gerais”, de Camilly Vitória e com orientação da professora Fernanda Onuma; “O conceito de vulnerabilidade social na análise da família privada de liberdade”, de Maria Julia Marcondes orientado pela professora Santiane Arias; e “Redes de apoio e familiares de pessoas em situação de cárcere: as andorinhas unidas e a luta por direitos fundamentais”, de Cilene Pereira.
“A experiência de coordenar um GT sobre direitos humanos e cárcere em um evento que reuniu pesquisadoras e pesquisadores do Brasil, Moçambique, Angola, Portugal e Espanha reafirma a importância da universidade na produção de conhecimentos e na construção de debates comprometidos com os direitos humanos, a inclusão e a transformação social”, aponta a professora Aline Lourenço.
A pesquisa também esteve presente no II Congresso Internacional de Literatura Especulativa (CONIFE) e III Congresso Internacional de Ficção, Identidade e Discurso (CONIFID), realizado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com a apresentação do trabalho “Além das grades (e da ficção): a experiência feminina e cárcere”, de autoria de Cilene Pereira e Jady Borges, no eixo temático de Literatura, Artes e Processos Culturais.
O trabalho propõe uma reflexão sobre a representação dos efeitos do cárcere para além dos muros das prisões, com base no curta-metragem A fábrica (2011), de Aly Muritiba, correlacionado aos relatos de mulheres participantes da Associação das Andorinhas Unidas/MG atravessadas por experiências de violência e violações de direitos em sua relação com o sistema prisional. Para a professora Cilene, ambos os eventos são importantes, “não só para apresentar resultados do projeto de pesquisa financiado pela Fapemig, mas também por promover a interação com outros grupos e pesquisadores que têm realizado trabalhos relevantes no/com o sistema prisional, entendendo-o como um local de produção e reprodução de desigualdades existentes”, finaliza.
Ana Clara Oliveira é estagiária de Comunicação Social do Campus Varginha.















