Hábitos alimentares inadequados afetam colesterol e peso de adolescentes, aponta estudo

Pesquisa desenvolvida no mestrado em Nutrição e Longevidade da UNIFAL-MG destaca a necessidade de estratégias de educação alimentar e nutricional no ambiente escolar

Atualizado em 19/05/2026 11:30

Representação de adolescentes consumindo alimentos ultraprocessados. (Imagem gerada por IA a partir de descrição jornalística, com revisão e supervisão da Dicom/UNIFAL-MG)

O consumo frequente de hambúrgueres, embutidos, salgadinhos e bebidas açucaradas tem relação direta com o aumento de alterações no colesterol e ao excesso de peso entre adolescentes. A conclusão é de uma pesquisa desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Longevidade (PPGNL) da UNIFAL-MG, que avaliou estudantes de uma escola da rede pública de ensino, localizada no Sul de Minas Gerais.

Fábia Gonçalves Ribeiro Alves – mestrada em Nutrição e Longevidade/autora da pesquisa. (Foto: Arquivo Pessoal)
Rosangela da Silva – professora da Faculdade de Nutrição que orientou o estudo no programa de pós-graduação. (Foto: Arquivo Pessoal)

Intitulada Perfil lipídico, estado nutricional e consumo de alimentos ultraprocessados de adolescentes de um município do Sul de Minas Gerais, a pesquisa de mestrado foi desenvolvida por Fábia Gonçalves Ribeiro Alves, sob a orientação da professora Rosangela da Silva, da Faculdade de Nutrição (FANUT).

A pesquisa analisou hábitos alimentares, medidas corporais e exames de sangue de 115 adolescentes com idade entre 11 e 17 anos. Os dados mostraram associação entre gordura abdominal aumentada e alterações nos triglicerídeos, além da relação entre consumo de hambúrgueres e embutidos com excesso de peso e redução do HDL.

“Os principais aspectos encontrados na pesquisa mostram que as alterações do perfil lipídico dos adolescentes associam-se ao consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras e açúcares”, enfatiza a orientadora do estudo.

O trabalho teve início no começo de 2021, com a coleta e análise de dados como hábitos de consumo alimentar, peso, altura e circunferência da cintura e exames bioquímicos realizados por meio de coleta de sangue dos adolescentes. A dissertação de mestrado foi defendida no final de 2022 e os resultados foram publicados em artigo científico em 2025, assinado pelas autoras em parceria com os pesquisadores Luiz Felipe de Paiva Lourenção, Viviane Novack Amaral Thiers Vieira, Tania Mara Rodrigues Simões e Roberta Ribeiro Silva Barra.

Conforme a orientadora, a investigação foi motivada pela própria experiência no trabalho com a nutrição infantil. “Atualmente oriento mestrado no PPGNL e o foco é estudar a alimentação e a presença de alterações bioquímicas relacionadas às doenças crônicas não transmissíveis, pois o comportamento alimentar inadequado na infância e na adolescência pode repercutir negativamente na longevidade”, explica.

Infográfico elaborado com dados da pesquisa sobre hábitos alimentares dos adolescentes. (Elementos visuais criados com auxílio de inteligência artificial, sob revisão e validação da Dicom/UNIFAL-MG)

Os resultados apontaram que 30% dos participantes estavam com excesso de peso e 19% apresentavam acúmulo de gordura abdominal considerado fator de risco para doenças cardiometabólicas, como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares.

Mais de 65% relataram consumir alimentos ultraprocessados diariamente, incluindo hambúrgueres, embutidos, salgadinhos, refrigerantes e doces industrializados.

As pesquisadoras também observaram alterações importantes nos exames de sangue. Cerca de 13% dos adolescentes apresentaram níveis baixos de HDL, conhecido popularmente como “colesterol bom”, enquanto 10% tinham triglicerídeos elevados.

Outro dado que chamou atenção foi a baixa frequência de hábitos alimentares considerados saudáveis.

Mais de 30% dos adolescentes disseram não consumir frutas, verduras ou legumes diariamente. Além disso, 65% realizavam no máximo três refeições por dia e mais de um quarto relatou não tomar café da manhã regularmente.

O estudo também teve impacto prático para os adolescentes e para o município participante, visto que os resultados individuais foram enviados às famílias, a fim de possibilitar o acompanhamento médico e nutricional dos casos identificados. Também um relatório com os resultados finais da pesquisa foi encaminhado para a secretaria de saúde do município, com o objetivo de contribuir para o direcionamento de ações de saúde pública.

Educação alimentar e nutricional no ambiente escolar

Para Fábia Alves, a pesquisa reforça a importância do acompanhamento nutricional e da identificação precoce de fatores de risco entre adolescentes. “Os resultados sugerem a adoção de ações estratégicas, com ênfase nas atividades de educação alimentar e nutricional no ambiente escolar”, comenta a autora do estudo.

Segundo ela, o ambiente escolar deve desencorajar o consumo de alimentos ultraprocessados e contribuir para a prevenção do surgimento de doenças crônicas. “Hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis melhoram a expectativa de vida associada à melhor qualidade de vida e longevidade dessa faixa etária”, finaliza Fábia Alves.

Confira dados do estudo acessando o artigo publicado em 2025 pela revista periódica Hygeia, vinculada ao Programa de Pós-graduação Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Acesse aqui

A dissertação Perfil lipídico, estado nutricional e consumo de alimentos ultraprocessados de adolescentes de um município do Sul de Minas Gerais está disponível para acesso no Repositório Institucional, neste link

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