Estudo examina fatores que influenciam a adoção de carros elétricos e híbridos no Brasil

Revisão desenvolvida no Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia discute custos, tecnologia, infraestrutura de recarga e o papel das informações digitais nas decisões dos consumidores
Imagem ilustrativa de carros elétricos em abastecimento. (Foto: Canva Education)

Ao reunir publicações e dados do setor automotivo, um estudo desenvolvido na UNIFAL-MG analisou os fatores que influenciam a decisão dos consumidores pela adoção de carros elétricos e híbridos no Brasil. Aspectos econômicos, avanços tecnológicos e disponibilidade de recarga estão entre as evidências mais consistentes encontradas nas fontes consultadas.

Erick Costa Alves Pereira – autor do estudo. (Foto: Arquivo Pessoal)
Débora Juliene Pereira Lima – professora que orientou o trabalho. (Foto: Arquivo Pessoal)

O tema é abordado na pesquisa Veículos elétricos e híbridos no Brasil: comportamento do consumidor e dinâmica de mercado, desenvolvida por Erick Costa Alves Pereira como trabalho de conclusão do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia, no campus Varginha. A orientação é da professora Débora Juliene Pereira Lima, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA).

Segundo o autor, o trabalho se diferencia por analisar a expansão dos veículos eletrificados para além dos custos e das tecnologias, visto que incorpora os hábitos, os valores e os significados que os consumidores associam à compra de um automóvel. “A pesquisa destaca como esses veículos passaram a representar, para determinados grupos de consumidores, atributos relacionados à modernidade, à inovação e à responsabilidade ambiental”, conta.

O estudo considerou os gastos ao longo do uso e a depreciação (perda de valor do automóvel com o passar do tempo), além do preço pago na compra. No caso dos veículos totalmente elétricos, a insuficiência de pontos de recarga aparece como uma barreira à expansão. A preocupação com a possibilidade de ficar sem energia durante um deslocamento é conhecida como “ansiedade de autonomia”.

“Nesse contexto, os veículos híbridos apresentam-se como uma alternativa de transição para consumidores que desejam incorporar novas tecnologias, mas ainda enfrentam restrições relacionadas à infraestrutura e à autonomia dos modelos exclusivamente elétricos”, aponta Erick Pereira.

Mudanças na concorrência também foram examinadas pelo acadêmico, que constatou alterações nas estratégias de preços, inovação e comercialização das marcas já estabelecidas, a partir da entrada de novas fabricantes, especialmente chinesas. No estudo, o autor discute possíveis repercussões sobre a percepção de valor e a revenda dos veículos a combustão.

Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico. (Fonte: TCC/Erick Pereira)

O papel das redes sociais e dos influenciadores digitais nas escolhas dos consumidores também fez parte da análise, ao mostrar que essa circulação de informações contribui para reduzir dúvidas e receios sobre novas tecnologias e marcas pouco conhecidas no Brasil.

Segundo o autor, a discussão também envolve as condições necessárias para ampliar o acesso às novas tecnologias. “Destaca-se a necessidade de ampliar a infraestrutura de recarga, reduzir as desigualdades de acesso às novas tecnologias e desenvolver políticas públicas que favoreçam uma transição energética economicamente viável e ambientalmente sustentável”, afirma.

Para a orientadora, a contribuição do estudo está em articular essas diferentes dimensões. “Considero especialmente relevante o fato de o trabalho reconhecer que a escolha de um automóvel não depende exclusivamente de variáveis tradicionais, como preço e custos de manutenção, mas também de fatores subjetivos, como percepção de valor, identificação com novas tecnologias e influência das informações disponíveis nos meios digitais”, afirma Débora Lima.

A docente também destaca o fato de a pesquisa identificar questões que merecem atenção tanto do setor produtivo quanto dos formuladores de políticas públicas, particularmente no que se refere à infraestrutura de recarga, à competitividade e à sustentabilidade da transição energética. “Trata-se de uma contribuição relevante para o debate acadêmico e para a compreensão dos desafios e das oportunidades que acompanham a eletrificação da mobilidade no Brasil”, ressalta.

Como a pesquisa foi feita

Para realizar a análise, o autor utilizou uma revisão narrativa da literatura, abordagem que reúne e interpreta conhecimentos disponíveis sobre um tema. Foram consultados artigos científicos, publicações especializadas e relatórios referentes ao período de 2013 a 2026, incluindo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Somando-se à revisão, também foram consideradas análises de especialistas e influenciadores digitais do setor.

O interesse em compreender as transformações do mercado automotivo motivou a escolha do tema. “O interesse foi investigar os fatores que influenciam a decisão dos consumidores de substituir veículos tradicionais por modelos eletrificados, considerando não apenas os aspectos econômicos, mas também a importância da inovação tecnológica, da sustentabilidade e dos valores associados à escolha do automóvel”, explica Erick Pereira.

Entre as questões que o acadêmico considera necessárias para pesquisas futuras estão os impactos ambientais do descarte e da reciclagem de baterias, a relação entre evolução tecnológica e depreciação dos veículos e as possíveis repercussões de mudanças tributárias sobre preços e competitividade. Esses temas permanecem como pontos a aprofundar, sem respostas conclusivas no trabalho.

O trabalho pode ser conferido na íntegra no Repositório Institucional

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