Estruturas ósseas e características anatômicas detalhadas de crânios humanos reais agora podem ser observados para fins de estudo e pesquisa a partir de qualquer lugar. Essa é a proposta do projeto HumanTrace, um atlas virtual 3D interativo que transforma peças anatômicas do acervo do Departamento de Anatomia da UNIFAL-MG em modelos digitais navegáveis.
A ferramenta é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) dos discentes Mariana Melo Frade de Araujo e Luís Felipe Marques Lima, do curso de Farmácia, e foi desenvolvida sob orientação da professora Alessandra Esteves e do professor Wagner Costa Rossi Junior, ambos do Departamento de Anatomia, com colaboração do professor Malthus Galvão, da Universidade de Brasília (UnB). O projeto contou com o apoio técnico do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) e foi conduzido no âmbito do grupo de trabalho em Antropologia Forense e Identificação Humana no Laboratório de Antropologia Física e Forense (LAFF).

Para desenvolver a ferramenta, o grupo utilizou técnicas de fotogrametria para fotografar cada peça anatômica pertencente ao acervo didático do Departamento de Anatomia, em diferentes ângulos. Os registros passaram por processamento digital específico, resultando em modelos tridimensionais fiéis às estruturas ósseas originais. “A partir de múltiplas imagens em alta resolução, foi possível reconstruir digitalmente as estruturas ósseas, preservando detalhes anatômicos essenciais para o estudo”, explica o professor Wagner Rossi Junior.
O resultado é um atlas virtual 3D interativo, que permite rotação, ampliação e visualização detalhada das estruturas anatômicas, das lesões, traumas e características individualizantes dos crânios, ampliando as possibilidades pedagógicas e científicas.
Segundo os coordenadores do Laboratório de Antropologia Física e Forense e orientadores do projeto, a ferramenta representa um avanço tanto na formação acadêmica quanto na democratização do acesso ao conhecimento científico produzido na Universidade. “O atlas virtual 3D é, antes de tudo, resultado do protagonismo e do compromisso científico dos nossos discentes. Ver discentes dos diferentes cursos das áreas da saúde e biológicas assumindo um projeto com essa dimensão técnica e social reforça a importância de uma formação sólida, crítica e interdisciplinar”, argumenta o professor Wagner Rossi Junior.
“Ao desenvolvermos uma ferramenta como esta, acessível e gratuita, ampliamos o alcance do conhecimento produzido na UNIFAL-MG, fortalecendo não apenas o ensino e a pesquisa, mas também os serviços que atuam diretamente na identificação humana. Esse é um projeto que impacta a formação acadêmica, contribui com a ciência brasileira e dialoga diretamente com as demandas regionais e nacionais”, acrescenta a professora Alessandra Esteves.
A importância da Osteologia e da Antropologia Forense na identificação humana

Os professores observam a importância da Osteologia e da Antropologia Forense na identificação humana. “A Osteologia é o ramo da Anatomia dedicado ao estudo dos elementos ósseos e contribui de forma significativa para a Antropologia Biológica (Física) e para a Antropologia Forense. Essas áreas desempenham papel crucial na determinação do perfil bioantropológico de um indivíduo, incluindo estimativas de sexo biológico, idade à morte, afinidade populacional e estatura, fornecendo subsídios técnicos fundamentais para processos de identificação humana”, explica Alessandra Esteves.
Conforme ela, o trabalho da Osteologia demanda a constituição e manutenção de coleções osteológicas, identificadas ou não com o intuito de desenvolver métodos mais precisos de identificação humana. “É imprescindível que tenhamos material humano natural para desenvolver pesquisas nas diferentes vertentes das ciências básicas, na antropologia física e forense bem como na odontologia e medicina legal”, afirma.

Para o avanço das pesquisas, a existência de coleções osteológicas é essencial. “Criar um banco de dados com este material é uma prática que não apenas preserva informações científicas valiosas pela qualidade das imagens que mostram acidentes anatômicos importantes como também alguns tipos de traumas, lesões e características individualizantes que o acervo apresenta, como também ‘eterniza’ as amostras, garantindo sua disponibilidade para futuras gerações de pesquisadores e estudantes”, enfatiza o professor Wagner Rossi Junior.
Protagonismo discente
A concepção do projeto como TCC evidencia o protagonismo estudantil na produção de conhecimento aplicado. O discente Luís Felipe Lima destaca que a participação no desenvolvimento do HumanTrace representou uma experiência de grande aprendizado acadêmico e técnico. Segundo ele, o contato com a técnica de fotogrametria durante o projeto exigiu estudo e adaptação ao processo de captura das imagens, processamento dos dados e geração dos modelos digitais.

“Como era um método novo para nós, foi necessário estudar e nos familiarizar com todo o processo para realizar corretamente a captura das imagens, o processamento dos dados e a geração dos modelos digitais”, explica.
De acordo com o estudante, além do domínio técnico, o projeto também proporcionou uma importante experiência interdisciplinar, ao integrar conhecimentos de anatomia, tecnologia digital e modelagem 3D. “Foi uma oportunidade de aplicar ferramentas tecnológicas para desenvolver um material didático que pode contribuir para o ensino e o estudo da anatomia humana de forma mais interativa e acessível, ampliando também minha visão sobre o uso de tecnologias digitais na área da saúde e da educação”, afirma.

A discente Mariana Araujo também ressalta que o desenvolvimento do atlas representou uma experiência marcada por desafios e aprendizados. “Durante o processo, enfrentamos alguns desafios, principalmente pela grande quantidade de detalhes presentes nessa estrutura. Pensamos em desenvolver o atlas de uma forma que realmente contribuísse para o estudo. Um exemplo disso foi a utilização dos códigos de identificação já presentes nos próprios crânios, que fazem parte da organização do departamento. Assim, o discente ou docente que quiser procurar um crânio específico do acervo terá essa possibilidade”, compartilha.
Mariana Araujo também destaca que o desenvolvimento do atlas exigiu atenção especial ao equilíbrio entre qualidade visual e desempenho da plataforma digital. “O maior desafio foi manter a qualidade visual dos modelos 3D e, ao mesmo tempo, garantir que o site permanecesse rápido e fácil de navegar. Apesar das dificuldades, participar desse projeto foi uma experiência incrível. Ficamos muito felizes em iniciar um trabalho tão importante, com a possibilidade de futuramente ampliar esse acervo e incluir também outras estruturas.”
Ensino além das paredes do laboratório
Concebido como um banco de dados acessível, gratuito e interativo, o HumanTrace possibilita o acesso remoto por docentes, pesquisadores e discentes de qualquer instituição de ensino ou pesquisa.

“Além do impacto acadêmico, o projeto possui relevante dimensão social. O atlas pode ser utilizado por serviços de segurança pública, como Institutos Médico-Legais, Institutos de Criminalística e Laboratórios de Antropologia Forense, que atuam diretamente na identificação humana”, informa a professora Alessandra Esteves.
O atlas virtual 3D de crânios humanos está disponível online e pode ser acessado gratuitamente por qualquer pessoa interessada em ensino, pesquisa ou aplicação forense.
Para navegar pelo acervo e explorar os modelos tridimensionais, basta visitar a página oficial do Laboratório de Antropologia Física e Forense no portal da UNIFAL-MG, neste link.
O TCC também pode ser acessado pelo Repositório Institucional da UNIFAL-MG aqui.













